VEJA COMO SERÁ CADA PROJETO
Atração de investimentos
Com a criação da Invest–ES, a ideia é promover as potencialidades econômicas do Estado e atrair investidores nacionais e internacionais. A criação será oficializada por um projeto de lei a ser enviado à Assembleia Legislativa (Ales) nos próximos dias.
A agência será uma sociedade de propósito específico, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento (Sedes), inspirada em modelos de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Atuará como facilitadora para investidores interessados em oportunidades no Estado.
Para o secretário de Desenvolvimento, Sergio Vidigal, a iniciativa é estratégica para tornar o Espírito Santo mais competitivo. “Estamos estruturando uma agência moderna, com governança qualificada e foco em resultados, para atrair investimentos que gerem emprego, renda e desenvolvimento sustentável. O Invest nasce com uma missão clara: ser um elo entre o investidor e as soluções que o nosso Estado pode oferecer”, afirmou.
Segundo o governo, o Invest-ES terá natureza de serviço social autônomo, com regime jurídico próprio e gestão contratual. A equipe será selecionada por processo seletivo simplificado e regida pela CLT. O contrato de gestão terá validade de quatro anos, com metas definidas e fiscalização do TCE-ES.
A estrutura contará com um Conselho Deliberativo remunerado, com cinco membros, e diretoria técnica escolhida por critérios de experiência. O orçamento anual será definido por lei, como em outras agências estaduais.
Energia renovável na Cesan
Durante o evento nos EUA, o governador Renato Casagrande também anunciou a abertura de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para desenvolver um projeto de autossuficiência energética da Cesan, com base em fontes renováveis ou no aproveitamento energético da água e do esgoto operados pela companhia.
O PMI é um chamamento público para que empresas e consórcios apresentem estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental, além de soluções tecnológicas. Os estudos devem ser entregues em até 120 dias após a publicação do edital, feita na terça-feira (13). O investimento será definido a partir das propostas. As diretrizes estão descritas no Termo de Referência aprovado pelo Conselho Gestor do Programa de Parcerias de Investimentos (CGPPI).
Entre os objetivos estão a análise da instalação de turbinas geradoras em redes de água, estudo de soluções energéticas ligadas às operações da Cesan e avaliação da geração distribuída. Atualmente, 65% da energia consumida pela empresa é renovável, e a meta é chegar a 100% até 2027.
Hoje, a Cesan gera 11.000 MWh/ano em sua usina fotovoltaica, equivalente a 55% do consumo em baixa tensão. Além disso, 60% da energia é comprada no mercado livre. Em 2023, a empresa recebeu a Certificação de Energia Renovável, com redução de 2.446 toneladas de CO₂ equivalente.
“A Cesan está comprometida com a inovação e a sustentabilidade. Com este PMI, buscamos soluções energéticas que unam eficiência econômica, responsabilidade ambiental e segurança operacional. É mais uma iniciativa que reforça nosso papel como uma companhia pública moderna, voltada para o futuro e conectada com as boas práticas globais de gestão. Levar nossos projetos ao cenário internacional é uma ponte estratégica para atrair investimentos e criar novas parcerias. O Espírito Santo está preparado para ser uma porta de entrada para negócios que alavanquem a economia brasileira por meio do saneamento”, disse o presidente da Cesan, Munir Abud.

Fundo de Descarbonização
Por fim, o governador apresentou uma chamada pública para selecionar a gestora do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), o Fundo de Descarbonização, com recursos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses).
A apresentação contou com a participação da diretora operacional Gabriela Vichi Abel de Almeida e do diretor de Negócios do Bandes, Marcos Kneip Navarro. O fundo financiará exclusivamente projetos e empresas voltados à descarbonização da economia capixaba, unindo finanças e combate às mudanças climáticas.
Gestoras de todo o país podem participar. A escolhida estruturará um fundo com foco em empresas e projetos no Espírito Santo, com R$ 500 milhões do Funses. Propostas devem ser enviadas pelo site do Bandes até 4 de junho. As mais aderentes serão convidadas a apresentar presencialmente em Vitória, em 28 de julho. O resultado final será divulgado até 1º de agosto, após due diligence.
”O lançamento do edital é um passo extremamente importante neste momento. Instituições de fomento e grandes empresas só investem no projeto após analisarem com profundidade a gestora que conduzirá o Fundo. Por isso, é preciso que tudo esteja de acordo para que os projetos de descarbonização saiam do papel, com uma oferta relevante de capital a juros acessíveis”, afirmou Casagrande. A meta é que o Fundo esteja em operação até a COP-30, em novembro.
O fundo financiará iniciativas ligadas ao Plano Estadual de Descarbonização, que prevê reduzir 27% das emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Os recursos serão aplicados em títulos e direitos creditórios de empresas que atuem com energias renováveis, biocombustíveis, eficiência energética, reflorestamento, eletrificação industrial e agricultura regenerativa.
“O Bandes promove esta articulação entre política pública e instrumentos financeiros, com foco em resultados concretos na mitigação das mudanças climáticas. Esperamos atrair gestores com sólida experiência em crédito estruturado, investimentos sustentáveis e atuação regional, capazes de alocar capital com responsabilidade e eficiência. O banco capixaba exercerá papel ativo no acompanhamento e na governança do fundo, garantindo aderência aos objetivos climáticos do Estado e às melhores práticas de gestão”, declarou Marcelo Saintive, presidente do Bandes.
A seleção terá duas fases: eliminatória e classificatória, com critérios como experiência da equipe gestora, aderência à tese de investimento, capacidade de operação no Estado e compromisso com boas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
Será exigida política de investimento alinhada às diretrizes climáticas do Estado e capacidade de mensurar impactos climáticos, avaliar projetos elegíveis e atrair investidores institucionais. O gestor deverá ter escritório no Espírito Santo e seguir todas as exigências legais e de governança do edital. O Bandes acompanhará a atuação da gestora, com presença nos conselhos, comitês e reuniões, além de exigir relatórios de impacto e prestação de contas.
Dúvidas sobre o edital devem ser enviadas para: descarbonizacao@bandes.com.br.
Mais agendas nos EUA Nesta terça-feira (13), o governador capixaba será um dos palestrantes do LIDE Brazil Investment Forum 2025, evento que reúne empresários para estimular o diálogo, gerar negócios e alavancar investimentos para o Brasil.



