O ParkLog Sul Capixaba deve ser visto como mais do que um projeto logístico. Ele tenta organizar, em uma mesma estratégia, ativos importantes do sul do Espírito Santo: portos, rodovias, ferrovia planejada, aeroporto regional, energia, indústria, rochas ornamentais e comércio exterior. A questão central é se o Estado conseguirá transformar essa combinação em plataforma regional de desenvolvimento.
O sul capixaba tem vocações produtivas relevantes, mas ainda enfrenta limitações de regiões que crescem sem integração logística. Produzir bem não basta. É preciso escoar com eficiência, reduzir custos e acessar mercados. Quando essa engrenagem não funciona, parte da renda escapa para outros territórios, em frete, armazenagem e serviços de apoio. Esse ponto é relevante para a cadeia de rochas ornamentais, uma das marcas econômicas do sul capixaba. A região tem peso nacional e internacional nesse setor, mas ainda pode capturar mais valor se integrar produção, beneficiamento, logística, exportação e serviços sofisticados. O ParkLog Sul pode ajudar nessa direção, desde que não seja apenas corredor de passagem de cargas.
O impacto potencial é expressivo. Uma logística eficiente reduz custos, melhora a competitividade local e aumenta a atratividade para novos investimentos. Também pode fortalecer Cachoeiro de Itapemirim, Anchieta, Presidente Kennedy, Itapemirim, Marataízes e outros municípios em uma estratégia regional. Mas esse potencial depende de execução. Infraestrutura não amadurece apenas com anúncio. É preciso ter planejamento, governança, licenciamento, financiamento, cronograma e cobrança permanente. A maturação do ParkLog Sul exige plano regional claro, mão de obra preparada, melhoria dos acessos, segurança jurídica e articulação entre empresas, municípios e ensino.
Nesse processo, o poder público precisa fazer sua parte sem demora. O Estado tem papel importante na coordenação e no planejamento territorial. Os municípios precisam organizar o uso do solo e preparar infraestrutura urbana. Mas parte decisiva depende do governo federal, especialmente nas conexões rodoviárias e ferroviárias. A EF-118 é peça central para que o projeto alcance escala nacional. Sem ferrovia, o sul capixaba continuará dependente do transporte rodoviário, com maior pressão sobre custos e menor capacidade de competir por grandes fluxos. Com ferrovia, portos, rodovias e áreas produtivas passam a compor um sistema mais eficiente.
O custo da demora é alto. Ele aparece nos investimentos que não chegam, nas empresas que escolhem outros estados, nos empregos que deixam de ser criados e na competitividade perdida. O Espírito Santo tem oportunidade concreta de reposicionar o sul capixaba no mapa logístico e industrial do país. Se o projeto amadurecer com planejamento, poderá gerar produtividade, investimentos e renda. Se ficar preso à lentidão burocrática, será mais uma boa ideia à espera de infraestrutura.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.
Sobre o autor

Felipe Storch Damasceno é economista-chefe do IBEF-ES.




