Direto e Saúde
Saúde como direito global: avanços, desafios e o papel da governança
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Eduardo Amorim

Com mais de 17 anos de atuação em Direito Médico, da Saúde e Saúde Suplementar, Eduardo Amorim é referência nacional na área, com forte atuação institucional e acadêmica. Atualmente, preside a Comissão Especial de Direito Médico do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e a Comissão de Direito Médico da OAB/ES, além de exercer o cargo de Conselheiro Estadual. Também integra a Comissão Nacional de Direito Médico da Associação Brasileira de Advogados, contribuindo para o desenvolvimento técnico e ético do setor.
Saúde é um dos pillares da dignidade humana. Foto: Pexels
Saúde é um dos pillares da dignidade humana. Foto: Pexels

Celebrado nesta semana, em 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde convida a sociedade a refletir sobre um dos pilares mais essenciais da dignidade humana: o acesso à saúde. Instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), criada em 1948, a data vai além de uma efeméride simbólica, ela funciona como um marco anual para avaliação dos sistemas de saúde, suas conquistas e, sobretudo, seus desafios persistentes.

Ao longo de mais de sete décadas, a OMS desempenhou papel central na coordenação de respostas globais a crises sanitárias, na erradicação e controle de doenças e na formulação de diretrizes que orientam políticas públicas em diferentes países. Exemplos emblemáticos incluem campanhas de vacinação em massa, o enfrentamento de pandemias e a promoção de práticas baseadas em evidências científicas.

Neste contexto, ganha destaque o conceito de cobertura universal de saúde, amplamente defendido pela OMS. Trata-se do compromisso de assegurar que todas as pessoas tenham acesso a serviços essenciais, desde a prevenção até os cuidados paliativos, sem que isso represente um risco financeiro. Mais do que um ideal, a cobertura universal é reconhecida como um elemento estruturante de sistemas de saúde eficazes, resilientes e equitativos.

Sob a ótica do Direito Médico, essa discussão assume contornos ainda mais relevantes. A saúde, enquanto direito fundamental, exige não apenas políticas públicas consistentes, mas também segurança jurídica para profissionais, instituições e pacientes. Questões como judicialização da saúde, responsabilidade civil médica, regulação de novas tecnologias e proteção de dados sensíveis tornam-se cada vez mais presentes no cotidiano jurídico.

Apesar dos avanços, os desafios permanecem significativos. Desigualdades no acesso, subfinanciamento de sistemas públicos, envelhecimento populacional e o impacto de novas doenças exigem respostas coordenadas e inovadoras. Além disso, a integração entre saúde e tecnologia traz oportunidades, mas também impõe dilemas éticos e regulatórios que precisam ser enfrentados com equilíbrio.

Neste contexto, a reflexão proposta pelo Dia Mundial da Saúde, celebrado nesta semana, reforça a necessidade de um compromisso contínuo com a construção de sistemas mais justos e inclusivos. A atuação de organismos internacionais, como a OMS, aliada ao fortalecimento das instituições nacionais e ao respeito às normas jurídicas, é fundamental para garantir que o direito à saúde deixe de ser uma promessa e se consolide como realidade para todos.

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