
Ambos andam juntas: dominância fiscal e credibilidade econômica
A crise inflacionária atual não pode ser analisada isoladamente da situação fiscal do país. O economista Gustavo Franco, em seu artigo “7 erros que explicam o porquê da economia do país estar enfrentando déficit de credibilidade”, aponta que a falta de transparência fiscal e a ausência de reformas estruturais são fatores centrais para a perda de confiança dos investidores e o agravamento da crise econômica. O descontrole dos gastos públicos sem um planejamento eficiente compromete não apenas o equilíbrio das contas do governo, mas também reduz a eficácia das políticas monetárias. Nesse cenário, o Brasil pode se aproximar de um quadro de dominância fiscal, onde o próprio endividamento elevado torna a política monetária ineficaz no controle da inflação, uma vez que o aumento dos juros apenas encarece a dívida pública sem gerar os efeitos esperados sobre os preços. Portanto, a solução para a crise inflacionária atual não está apenas na política de juros, mas principalmente em uma gestão fiscal responsável, que garanta previsibilidade econômica e credibilidade junto ao mercado. Para consolidar esse equilíbrio, é necessário investir na modernização da máquina pública, na revisão de benefícios fiscais ineficientes e no fortalecimento das instituições de controle. Medidas como controle eficiente dos gastos, aumento da transparência nas contas públicas e reformas estruturais são essenciais para evitar que o país entre em um ciclo vicioso, no qual o ajuste monetário se torna ineficaz e a inflação segue em alta, impactando diretamente o custo de vida da população e a capacidade de crescimento sustentável da economia brasileira. Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.
*Letícia Moreto é técnica em Administração pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), graduanda em Administração de Empresas pela Fucape e Membro do IBEF Academy





