Em um mercado globalizado, no qual a informação circula em velocidade crescente, as empresas são submetidas a níveis cada vez mais elevados de competitividade. Nesse contexto, líderes são constantemente desafiados a tomar decisões estratégicas que impactam diretamente a sobrevivência e o crescimento dos negócios. Diante disso, surge uma questão central: em um ambiente orientado a resultados, o que legitima um líder, o diploma ou a entrega?
No campo de batalha, não há espaço para currículos. Em Responsabilidade Extrema, Leif Babin e Jocko Willink estabelecem um paralelo entre operações militares no Iraque e a atuação de líderes no mundo corporativo. A obra evidencia que habilidades como disciplina, clareza de comunicação e prestação de contas, desenvolvidas em cenários de alta pressão, são determinantes também no ambiente empresarial. A formação acadêmica é relevante, ela habilita, abre portas e insere o indivíduo em ambientes propícios ao desenvolvimento. No entanto, uma vez iniciado o “jogo”, as credenciais cedem espaço à capacidade de execução e geração de resultados.
Em um mercado hiperconectado, a habilidade de capturar a atenção do consumidor tornou-se um ativo escasso e altamente valioso. A lógica da performance utiliza o próprio mercado como mecanismo de validação. Nesse contexto, ganha destaque o caso do influenciador Tiago “Toguro”, que, mesmo sem formação formal em marketing, assumiu a liderança de comunicação da CIMED, uma das maiores indústrias farmacêuticas do Brasil. Sua trajetória ilustra uma mudança relevante: mais do que credenciais formais, o mercado tem valorizado a capacidade de gerar impacto mensurável. Pouco tempo após sua entrada, a empresa registrou bilhões de visualizações nas redes sociais, reforçando a relação direta entre atenção, engajamento e resultado.
Isso não significa, contudo, a desvalorização da formação acadêmica. O diploma continua sendo um importante instrumento de base teórica e desenvolvimento estruturado. Entretanto, ele não substitui a responsabilidade individual pela entrega. Em ambientes de alta competitividade, o mercado tende a premiar aqueles que conseguem transformar conhecimento em execução consistente.
Assim, a liderança contemporânea exige mais do que conhecimento e passa a demandar responsabilidade extrema sobre os resultados. Em última instância, o diploma pode abrir portas, mas é a capacidade de entrega que sustenta a permanência e legitima a liderança no longo prazo.

Bryan Ferreira Rocha dos Santos é engenheiro de Gestão de Ativos na Concremat e Membro do IBEF Academy.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.





