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Golpes virtuais contra servidores exigem resposta institucional imediata
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Na dúvida, a recomendação é buscar os canais oficiais da Justiça para evitar os crimes virtuais. Foto: Divulgação
Na dúvida, a recomendação é buscar os canais oficiais da Justiça para evitar os golpes virtuais. Foto: Divulgação
Os crimes virtuais estão cada vez mais sofisticados — e, infelizmente, cada vez mais comuns. Uma modalidade particularmente cruel vem afetando servidores públicos e advogados, alvos de golpistas que se aproveitam da credibilidade profissional e do acesso a dados sensíveis para enganar cidadãos e até colegas de profissão. A mecânica do golpe é simples, mas extremamente eficaz: os criminosos se passam por advogados ou funcionários do Judiciário, entram em contato por WhatsApp e informam sobre uma suposta audiência ou intimação. A vítima, confusa e temerosa, clica em links maliciosos ou fornece dados pessoais. O estrago, muitas vezes, é grande — emocional, financeiro e institucional. Não se trata apenas de um problema individual. O uso indevido da identidade de profissionais do Direito ou de servidores públicos compromete a confiança nas instituições. Quando alguém recebe uma mensagem de um “advogado” com nome, OAB e até foto reais, é natural acreditar. Estamos diante de um problema que afeta a imagem da Justiça como um todo — e que demanda respostas urgentes. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem feito alertas frequentes sobre o tema. Diversas seccionais já organizaram campanhas de conscientização, criaram canais de denúncia e pressionam as autoridades policiais para investigação mais ágil desses crimes. Mas é necessário ir além da reação pontual: precisamos de uma estratégia nacional, coordenada, para enfrentar esse tipo de golpe. É essencial, por exemplo, que se acelere a integração entre os sistemas da Justiça, que permita uma comunicação institucional mais segura e rastreável com as partes. Também é preciso ampliar o alcance das campanhas de orientação — tanto para os profissionais quanto para a população. Em um país onde milhões dependem de serviços públicos e judiciais, garantir a autenticidade da comunicação oficial é uma questão de cidadania. Enquanto isso, o cidadão precisa ficar atento: nenhum tribunal ou advogado envia intimações formais por WhatsApp. Na dúvida, a recomendação é buscar os canais oficiais da Justiça ou entrar em contato direto com o advogado por meios verificáveis. Golpes como esses não se resolvem apenas com tecnologia ou repressão. É preciso reconstruir a confiança com informação e transparência. E isso exige compromisso coletivo — do Estado, da advocacia e da sociedade civil.
Sobre o autor: *Luiz Antonio Müller Marques é advogado e sócio de Wagner Advogados Associados.  
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