Agro & Coop
Cooperativismo movimenta R$ 16,9 bilhões e fortalece agro capixaba

O Espírito Santo tem uma cooperativa de produtores de gengibre que, no último ano, exportou aproximadamente 200 containers com cerca de 4 mil toneladas da raiz

Foto de Vinícius Baptista

Vinícius Baptista

Vinícius Baptista é jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Marketing Político, e apaixonado por contar histórias. Ao longo dos anos, tem rodado o Estado para mostrar como que o agro e o cooperativismo tem transformado a vida das pessoas.
Cooperativa do ES exportou 200 containers em 2025. Foto: Reprodução/Gov-ES

Era uma tarde chuvosa em Santa Leopoldina. Eu e minha equipe registrávamos o trabalho intenso dentro do galpão da Coopginger – Cooperativa dos Produtores de Gengibre da Região Serrana do Espírito Santo. Em meio a movimentação de caixas que iriam encher um contêiner que, do lado de fora, aguardava o carregamento, um jovem produtor, chamado Willian Tesch, que não devia ter mais do que 18 ou 20 anos, olhou para mim, bateu de leve em uma caixa com a logo da cooperativa e me disse: Isso aqui é a história da minha família indo para Dubai!

Sim, o Espírito Santo tem uma cooperativa de produtores de gengibre que, no último ano, exportou aproximadamente 200 containers com cerca de 4 mil toneladas da raiz para mercados exigentes como Estados Unidos, França e Emirados Árabes Unidos. E essa é só uma pequena amostra da força do cooperativismo e do agro capixaba.

O anuário 2025 da Organização das Cooperativas Brasileiras no Espírito Santo (OCB-ES), mostra que o Estado possui 114 cooperativas com 968 mil cooperados e 12,1 mil colaboradores diretos. Se levarmos em conta os familiares dessas pessoas, podemos dizer que 2,2 milhões de pessoas no Espírito Santo estão envolvidas com o cooperativismo. Isso significa que, pouco mais da metade dos habitantes do Estado estão ligados às coops.

O cooperativismo movimentou em 2024 R$ 16,9 bilhões na economia capixaba. Um crescimento de 14,2% em relação ao ano anterior. Só em impostos, as cooperativas daqui pagaram R$ 739,8 milhões aos cofres públicos e deixaram R$ 500 milhões em sobras à disposição dos seus cooperados. Explicando de uma forma simples, “sobras” é como as cooperativas chamam o lucro que será repassado aos seus integrantes.

Em um estado pequeno em tamanho, mas gigante no potencial agrícola, como costuma dizer o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, as cooperativas do agro não param de crescer. Temos aqui a maior cooperativa de café conilon do Brasil, a Cooabriel, que fechou 2025 com um faturamento de R$ 2,46 bilhões. Logo atrás, uma outra gigante do agro capixaba, a Nater Coop. A cooperativa que começou há aproximadamente 60 anos com um grupo de 20 pequenos produtores de aves que se uniram para conseguir comprar ração mais barata para seus frangos, faturou no ano passado R$ 2,44 bilhões. De acordo com o anuário da Findes 2025, das 10 maiores empresas do agro capixaba, três são cooperativas. A Selita fechou a lista com um faturamento de R$ 296 milhões.

O agro capixaba também está cada vez mais tecnológico. Cooperativas tem investido milhões todos os anos em produção energética limpa, equipamentos e novos processos. A feira da Cooabriel, por exemplo, movimentou no ano passado R$ 1,2 bilhão em negócios. Grande parte destinado a venda de novas tecnologias.

Na ponta, cada vez mais produtores modernizam suas lavouras. Tratores estão sendo substituídos por drones na pulverização das plantações. Recentemente, estive em Linhares, em uma bela propriedade às margens da lagoa das Palmas, onde o jovem Miguel de Azevedo, de 17 anos, pilota um drone avaliado em R$ 160 mil, sobre o cafezal da fazenda da família. O pai, cooperado da Nater Coop, comprou o equipamento com a cooperativa e recebeu dos técnicos da Nater toda a assessoria para que o filho pudesse controlar a aeronave com destreza e segurança. Miguel me garantiu que não quer mais saber de outra vida! O garoto do campo gosta tanto de tecnologia quanto o menino da cidade. E Miguel ganhou um incentivo e tanto para suceder o pai no comando dos negócios da família.

Mas tem algo que os números não podem mensurar. As histórias! Vidas que são transformadas pelo cooperativismo e pelo agro. Famílias inteiras, formadas por gente simples, que se uniram e viram os produtos de suas terras sendo vendidos para locais onde muitos deles, provavelmente, nunca pisarão. Assim, essas pessoas conseguem vislumbrar um futuro cheio de esperança. Além de ser a locomotiva que puxa a economia do país, o agro melhora vidas. Permite que meninos como Willian e Miguel continuem no campo, dando continuidade aos negócios de suas famílias e produzindo alimento de qualidade para as nossas.

 

Leia também

Para melhorar a sua navegação, nós utilizamos Cookies e tecnologias semelhantes.
Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Política de Privacidade