Livro mostra como ES alcançou 175 mil mulheres com proteção

Obra detalha expansão da rede de atendimento e integração de políticas que ampliaram denúncias e acesso a serviços no estado

Escrito por Redação

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O aumento das denúncias de violência contra a mulher no Espírito Santo deixou de ser apenas um indicador de crise para também revelar uma mudança de comportamento. Em 2025, a Polícia Civil recebeu, em média, 200 ligações por dia relacionadas a esse tipo de crime. O volume expõe a dimensão do problema, mas também aponta para um movimento de ruptura do silêncio por parte das vítimas.

Esse cenário acompanha a consolidação de uma rede estadual de atendimento que, nos últimos anos, alcançou cerca de 175 mil mulheres com ações que vão do acolhimento à busca por autonomia financeira. A estrutura envolve diferentes frentes e passou a integrar áreas como saúde, assistência social e justiça.

Expansão da rede

A criação da Secretaria Estadual das Mulheres e a interiorização das políticas públicas estão entre os principais eixos dessa estratégia. Em três anos, o número de Organismos de Políticas para as Mulheres saltou de quatro para 40 nos municípios. As estruturas contam com equipamentos, suporte técnico e formação para executar ações de proteção.

No atendimento direto, os Centros Margaridas, especializados em orientação jurídica e psicológica, somaram 15 mil atendimentos em 10 unidades espalhadas pelo estado. A ampliação desses serviços facilitou o acesso das vítimas e contribuiu para o aumento das denúncias.

Integração como estratégia

A metodologia adotada para estruturar essa rede é um dos pontos centrais do livro “Jacqueline Moraes: Quando o incômodo vira política pública”, que será lançado na sexta-feira (8), em Vitória. A obra reúne análises e relatos da ex-secretária de Estado das Mulheres e ex-vice-governadora Jacqueline Moraes, que participou da implementação dessas políticas.

Ela afirma que a subnotificação sempre foi um obstáculo e que o cenário atual indica maior confiança no sistema. “Sempre houve subnotificação da violência. Hoje, mais mulheres procuram o Estado porque se sentem mais encorajadas. A pauta feminina deixa de ser exclusiva da segurança pública para integrar áreas como saúde, assistência social e justiça. A repressão é necessária, mas insuficiente. É preciso uma rede sólida atuando de forma coordenada”, diz.

Segundo Jacqueline, a base desse modelo começou a ser construída ainda durante sua atuação como vice-governadora, entre 2019 e 2022. “A violência contra a mulher não é responsabilidade de uma pasta só. Ela atravessa todas as políticas públicas”, afirma.

Trajetória e políticas públicas

O livro também resgata a trajetória pessoal da autora, da infância à atuação no governo, e mostra como experiências anteriores, como o período em que trabalhou como camelô e militante dos direitos dos trabalhadores, influenciaram sua atuação na gestão pública.

A publicação detalha ainda a expansão dos Centros Margaridas, que passaram de quatro para 10 unidades, e a articulação com municípios e órgãos do sistema de justiça. As iniciativas ampliaram o alcance dos serviços e ajudaram a transformar o aumento das denúncias em um passo concreto no enfrentamento à violência.

Lançamento do livro

Livro: “Jacqueline Moraes: Quando o incômodo vira política pública”, Editora Pense
Data: sexta-feira (8)
Local: Mercado da Capixaba, Centro de Vitória. Av. Jerônimo Monteiro – Centro, Vitória – ES
Horário: 19 horas.
Entrada gratuita.

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