Homem é torturado e morto após acusação baseada em “sonho” de pastora

Vítima de 32 anos foi sequestrada, torturada e morta após acusação sem provas

Escrito por Redação

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Julio Alvarenga foi preso durante o cumprimento de um mandado de prisão | Foto: PCES

Gabriel Bandeira, de 32 anos, foi morto no dia 1º de outubro do ano passado, mas o corpo só foi encontrado dois dias depois, em uma área de mata em Morada de Bethânia, Viana, já em avançado estado de decomposição. De acordo com a Polícia Civil, a vítima teria sido torturada antes de ser assassinada.

As investigações apontaram que o crime foi encomendado por familiares de Gabriel, após ele ser acusado, sem qualquer comprovação, de cometer abuso contra a própria sobrinha, de 4 anos.

Segundo a apuração, a suspeita teria surgido a partir de uma suposta revelação feita por uma pastora à irmã de Gabriel, que afirmou ter tido um sonho indicando que abusos estariam acontecendo dentro da casa da vítima. A partir disso, os familiares teriam encomendado a morte.

O crime

Na madrugada do crime, Gabriel estava em sua residência, no bairro Castelo Branco, em Cariacica, quando teve a casa invadida por criminosos. Ele foi levado à força por dois homens encapuzados.

Os suspeitos foram identificados como Júlio Alvarenga, conhecido como “Malvadão”, e um outro envolvido que, à época, era adolescente. Conforme a polícia, ambos integravam o tráfico de drogas da região.

Durante as investigações, a polícia também identificou a atuação de uma organização criminosa armada nos bairros Beco do Aranha e Torre, liderada por Júlio Alvarenga.

“A partir da elucidação desse fato, os elementos investigativos nos permitiram identificar a existência de uma organização criminosa armada na região, liderada por Júlio Alvarenga, que se autointitulava ‘Malvadão’”, afirmou a delegada Suzana Garcia, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana.

Nas redes sociais, o suspeito ostentava armas e fazia publicações relacionadas ao crime. Em um dos vídeos, ele aparece efetuando disparos para o alto em via pública.

Júlio foi preso no dia 13 de fevereiro, em casa, durante o cumprimento de um mandado de prisão. No imóvel, os policiais encontraram uma pistola 9mm prateada, além de três carregadores, balaclava, anotações ligadas ao tráfico, coldre e munições.

O comparsa, que era adolescente na época do crime, foi responsabilizado por ato infracional análogo ao homicídio.

Já a irmã e o sobrinho de Gabriel, apontados como mandantes, foram indiciados e respondem ao processo em liberdade.

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