Protesto na limpeza termina com confronto e prisão em VV

Sindicato, CUT e deputada denunciam violência durante manifestação em Vila Velha

Escrito por Redação

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A saída dos caminhões de coleta de lixo em Vila Velha foi bloqueada por trabalhadores e sindicalistas nesta segunda-feira (11). A manifestação terminou com intervenção da Guarda Municipal, uso de instrumentos de menor potencial ofensivo e a condução da presidente do Sindilimpe-ES, Evani Reis, conhecida como Evani Baiana, ao DPJ de Vila Velha.

Segundo a Prefeitura de Vila Velha, o impasse envolve o Sindilimpe-ES e a empresa Localix Serviços Ambientais S.A., responsável pela limpeza urbana no município. O sindicato reivindica a reintegração de trabalhadores desligados da empresa.

A administração municipal informou que, conforme comunicado da Localix, os desligamentos ocorreram por “não atendimento a padrões internos estabelecidos pela empresa”, que possui regras próprias de funcionamento e gestão de pessoal.

A prefeitura ressaltou que a Localix é uma empresa privada contratada por processo regular e responsável pela gestão de seus funcionários, devendo cumprir a legislação trabalhista vigente. Também afirmou que o contrato segue regular, sem interrupção dos serviços.

Ainda segundo o município, existe decisão da Justiça do Trabalho determinando que não haja impedimento ao acesso de trabalhadores e veículos aos locais de serviço, garantindo a continuidade da limpeza urbana.

Guarda Municipal cita descumprimento de decisão judicial

De acordo com a Guarda Municipal, equipes foram acionadas após manifestantes bloquearem a saída dos caminhões de coleta.

A corporação informou que tentou negociar e orientar os participantes sobre a necessidade de cumprimento da decisão judicial que assegurava o livre acesso à empresa. Segundo a prefeitura, parte dos manifestantes continuou impedindo a entrada e saída de veículos, o que levou ao “uso progressivo e proporcional da força” para dispersar o grupo.

Durante a ocorrência, uma manifestante foi conduzida à Delegacia de Polícia por desacato e resistência.

Após a intervenção, os caminhões deixaram a empresa e o serviço foi retomado. Mais tarde, segundo a Guarda Municipal, manifestantes voltaram a fechar o portão e lançaram pedras e objetos contra as equipes. Ninguém ficou ferido.

A prefeitura afirmou que a atuação da Guarda ocorreu “pautada nos princípios da legalidade, proporcionalidade, necessidade e preservação da ordem pública”.

Sindicato denuncia agressões

O Sindilimpe-ES contestou a versão da prefeitura e afirmou que a manifestação ocorreu de forma pacífica.

Em nota, o sindicato repudiou “a forma truculenta com a qual a Guarda Municipal de Vila Velha agiu contra as trabalhadoras da Soluções e diretoras do Sindicato, durante manifestação pacífica pelo pagamento dos salários e tíquete-alimentação atrasados”.

A entidade afirmou que houve agressões e uso de spray de pimenta contra manifestantes. Segundo o sindicato, o protesto começou na quinta-feira (9) e continuou na sexta-feira (10), em frente à Prefeitura de Vila Velha, motivado por atrasos salariais e de benefícios.

O Sindilimpe-ES também declarou que manifestantes foram impedidos de usar os banheiros da prefeitura e de entrar no prédio para beber água.

Nas redes sociais, a entidade publicou um vídeo com a frase: “Liberdade para a presidenta do Sindilimpe-ES, Evani Baiana!”. A publicação também critica a atuação da Guarda Municipal, da Prefeitura de Vila Velha e do prefeito Arnaldinho Borgo.

Deputada cobra “justiça e Evani livre”

A deputada federal Jaqueline Rocha também se manifestou sobre o caso e afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que Evani Reis foi conduzida algemada ao DPJ após defender a reintegração de trabalhadoras demitidas.

“O papel do sindicato, muitas vezes, não é só lutar pelo tíquete de alimentação, lutar pelo salário digno, mas também é enfrentar a opressão contra aquelas empresas que têm práticas equivocadas”, afirmou.

A parlamentar também declarou solidariedade aos trabalhadores atingidos “por bombas de efeito moral” e “balas de borracha” durante a manifestação. “O que nós queremos nesse momento agora é justiça e a Evani livre”, disse.

Na legenda da publicação, Jaqueline Rocha afirmou repudiar “com veemência a truculência da Guarda Municipal de Vila Velha durante o protesto pacífico das trabalhadoras e trabalhadores da limpeza”.

“Lutar por dignidade não é crime”, escreveu a deputada.

CUT responsabiliza prefeitura

A Central Única dos Trabalhadores do Espírito Santo (CUT-ES), a Central Única dos Trabalhadores, também divulgou nota de repúdio à ação da Guarda Municipal.

Segundo a entidade, os trabalhadores representados pelo Sindilimpe-ES estavam nas ruas “por uma causa justa e legítima: o atraso no pagamento por parte da empreiteira contratada pela Prefeitura de Vila Velha”.

A CUT-ES afirmou que a condução de Evani Baiana algemada ao DPJ foi “um ato de brutalidade que não tem qualquer justificativa”.

A entidade também responsabilizou diretamente o prefeito Arnaldinho Borgo pelo episódio. “É sob seu comando que a Guarda Municipal age. É sua a responsabilidade pelo descumprimento dos contratos da Prefeitura e pela violência cometida em nome do poder público municipal”, diz trecho da nota assinada pela presidente da CUT-ES, Clemilde Cortes.

A central sindical cobrou posicionamento público da prefeitura e o pagamento dos trabalhadores envolvidos na manifestação.

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