Enquanto os olhos dos visitantes se voltam para os barcos enfeitados que cruzam o mar durante a Procissão Marítima de São Pedro, em Vitória, para os pescadores da Enseada do Suá a celebração representa muito mais do que um evento religioso: é um momento que reúne histórias de família, agradecimentos pelas pescarias e a renovação da fé de quem depende diariamente das águas para sobreviver.
A procissão, realizada anualmente em homenagem a São Pedro, padroeiro dos pescadores, é considerada um dos momentos mais importantes do calendário da comunidade. A tradição mobiliza dezenas de famílias que, há gerações, mantêm viva uma relação marcada pelo respeito ao mar e pela devoção ao santo.
“No barco que vai o santo, por exemplo, estão os pescadores mais antigos da comunidade e o padre. E aí acontece a benção do anzol, que é feita pelo pescador mais antigo todos os anos”, contou “Alvinho”, presidente da Colônia de Pescadores de Vitória.
Durante a cerimônia, os participantes rezam juntos uma Ave-Maria e um Pai-Nosso. Em seguida, o anzol é lançado ao mar como símbolo de proteção, fartura e boas pescarias. Depois do ritual, cada embarcação retorna ao seu cais de origem.
No ano passado, foram 172 embarcações participando da festa., e além da celebração religiosa, o evento também representa um momento de união entre os pescadores, que se dedicam à preparação das embarcações. Dias antes da procissão, os barcos começam a ganhar bandeiras, flores, fitas e imagens religiosas que transformam o trajeto pelo mar em um espetáculo de cores e devoção.
Segundo Alvinho, a tradição começou de forma bastante diferente.
Quem chegava primeiro ganhava duas caixas de cerveja. Hoje, o barco mais enfeitado ganha 2 mil, o segundo lugar 1.500 e assim vai até o décimo lugar
Em muitas casas, a participação no cortejo marítimo atravessa décadas. Avôs, pais, filhos e netos compartilham a mesma profissão e a mesma fé, transformando a procissão em um patrimônio cultural e afetivo da comunidade. “Meu pai chegou aqui com 18 anos e morreu com 90, foi pescador a vida toda, e eu estou na festa há 45 anos”, contou Alvinho.
São Pedro é padroeiro dos pescadores
A ligação entre São Pedro e os pescadores tem origem na tradição cristã. Antes de se tornar um dos principais discípulos de Jesus Cristo, Pedro era pescador no Mar da Galileia e segundo os relatos bíblicos, ele abandonou as redes para seguir Jesus e mais tarde se tornou o primeiro líder da Igreja Católica.
Por essa razão, o santo passou a ser considerado o protetor dos homens e mulheres do mar, sendo venerado por comunidades pesqueiras em diversos países. No Brasil, especialmente nas cidades litorâneas, as homenagens ao santo se transformaram em procissões marítimas que misturam fé, cultura popular e tradição.
Festa de São Pedro 2026
A agenda de shows terá início na sexta-feira (26), com apresentações de artistas que transitam pelo sertanejo e pela música popular. A primeira atração confirmada é a cantora capixaba Luiza Andrade, que sobe ao palco às 20 horas. Aos 24 anos, ela vem ganhando espaço no cenário sertanejo e levará ao público um repertório que inclui sucessos do sertanejo universitário, sofrência, vaneirão e modão.
Na sequência, às 22 horas, será a vez de Tierry. O cantor e compositor baiano é conhecido nacionalmente por músicas que alcançaram grande repercussão nas plataformas digitais e nas rádios. O show promete reunir sucessos que misturam arrocha, romantismo e sofrência.

A Festa de São Pedro contará com uma estrutura especial montada na Praça do Papa, com palco principal, telões, pórticos de acesso, banheiros, áreas de convivência e uma praça de alimentação com 30 barracas e 10 food trucks.



