
O susto e a busca por respostas
Lorena notou um pequeno nódulo durante o autoexame e, devido ao histórico familiar, procurou um médico. Os exames confirmaram carcinoma ductal invasivo. “O diagnóstico de câncer é como um luto, em que sua vida é interrompida. O diagnóstico é a parte mais difícil do processo. Foram dias de choro, de raiva, de perguntas: ‘Por que eu?' ‘Por que logo agora?' ‘E agora, como vai ser a minha vida?' Foram tantas perguntas que fica um turbilhão na cabeça, como se tivesse um furacão”, relembra. Já Priscilla, que havia se mudado para os Estados Unidos há poucos anos, ignorou os sinais do corpo por meses. Sangue nas fezes, episódios esporádicos desde 2020, foram desconsiderados até se tornarem frequentes. Um diagnóstico inicial equivocado de hemorroidas levou-a a fazer uma colonoscopia, que, em junho de 2023, revelou um tumor obstruindo 90% do intestino. “Meu mundo caiu. Chorei por dias seguidos, minha filha tinha apenas 1 ano e 11 meses. Eu só pedia a Deus para viver para cuidar dela e vê-la crescer”, relembra.A força da fé e da rede de apoio
Ambas encontraram forças no apoio de familiares e amigos. Lorena, que sempre buscou a fé, intensificou suas orações, encontrando conforto e esperança. Ela também percebeu a proximidade de sua família nesse período, com seu esposo, sempre cheio de amor, segurando sua mão para que ela conseguisse dormir. Em cada fase do tratamento, desde consultas médicas até exames e medicações, ela estava acompanhada de seus familiares. “Fiz novas amizades, conheci pessoas que passaram pelo tratamento e compartilharam suas experiências, me dando apoio e atenção. As pessoas sempre procuravam estar próximas, me mandavam mensagens e buscavam saber como eu estava. Essa atenção me fez sentir amada e cuidada.” Lorena também começou a frequentar grupos de oração na igreja, o que a fortaleceu na fé e a aproximou ainda mais de Deus. “Foi na fé que eu busquei forças para superar cada etapa do tratamento, entreguei minha vida nas mãos de Deus”, conclui. Após receber o diagnóstico, Priscilla sentiu a necessidade de retornar ao Brasil, onde mantinha seu plano de saúde. Ela sabia que, nos Estados Unidos, o seguro-saúde não cobriria o tratamento, que poderia ser de alto custo. Além disso, queria estar perto da família e amigos, em Cachoeiro de Itapemirim. Com o apoio do marido, arrumou as malas e dias depois desembarcou no Espírito Santo.A jornada do tratamento
Lorena enfrentou seis sessões de quimioterapia, com efeitos colaterais como queda de cabelo, insônia, cansaço e alterações no paladar. “A cada fio de cabelo que caía, eu chorava, mas entendia que era para a minha cura”, relata. A atividade física e o acompanhamento psicológico foram essenciais para amenizar os efeitos do tratamento. A atividade física desempenhou um papel crucial na recuperação física e mental de Lorena. Mesmo nos dias mais difíceis, ela se esforçava para ir à academia, onde se sentia melhor, e, nos dias em que não conseguia comparecer, buscava alternativas em casa para manter a constância na prática. Além disso, o apoio contínuo da equipe médica, que incluía médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos e nutricionistas, foi fundamental para sua recuperação. Esse suporte trouxe-lhe confiança e segurança, o que a tranquilizou consideravelmente durante todo o tratamento. Priscilla passou por duas cirurgias: a primeira para a retirada do tumor e a segunda devido a uma complicação pós-cirúrgica. “A segunda internação foi mais difícil, fiquei muito debilitada, pensei que não ia resistir. Eu perdi muito peso, mas o apoio e carinho da minha família foi fundamental”, conta.A vida após o câncer
O medo da recidiva é uma sombra constante, mas ambas aprenderam a conviver com ele. “A cada exame, a ansiedade volta, mas a terapia me ajudou a lidar com isso”, revela Priscilla. Lorena, que ainda está em tratamento, busca manter hábitos saudáveis e valorizar cada momento da vida. “O câncer me fez ver a vida com outra lente, outro olhar”, afirma Lorena. “Passei a valorizar mais as pequenas coisas, as pessoas, o dia a dia”. Priscilla compartilha do mesmo sentimento: “A gente aprende a viver com o medo, mas não pode paralisar a vida. O câncer coloca as coisas mais importantes no lugar certo”.A importância do diagnóstico precoce e da mudança de hábitos



