O uniforme é o mesmo. A rotina também. Mas, antes da profissão, veio a história construída dentro de casa. Neste Dia das Mães, celebrado neste domingo (10), mãe e filho carregam juntos não apenas o sobrenome, mas também a trajetória dentro do sistema prisional do Espírito Santo.
A policial penal Uliceia Neuza Dias começou a trabalhar na Secretaria da Justiça (Sejus) em 2005. Atualmente no Centro Prisional Feminino de Cariacica, ela resume a relação com a profissão em poucas palavras: “Amo o que faço”.
Foi observando a força da mãe e acompanhando de perto a rotina dela que Allan Dias de Oliveira decidiu seguir o mesmo caminho. Ele entrou para a Sejus em 2007, aos 20 anos, em busca de estabilidade e de uma oportunidade profissional.
Hoje policial penal de carreira e atuando na Academia de Polícia Penal do Espírito Santo (Acadeppen), Allan afirma que a mãe foi referência dentro e fora do trabalho.
“Minha mãe sempre trabalhou muito para garantir dignidade, educação e oportunidades para mim e meus irmãos, sendo mãe solo. Hoje entendo que todo aquele esforço também era uma forma de amor. Tenho muito orgulho da trajetória da minha mãe, da honestidade, da responsabilidade e da força que sempre demonstrou em sua trajetória”, contou.
Concurso marcou nova etapa
A trajetória dos dois voltou a se cruzar de forma decisiva em 2016. Depois de anos atuando em designação temporária, mãe e filho conquistaram a efetivação por meio de concurso público.
Para Uliceia, ver Allan vestir o mesmo uniforme se tornou uma das maiores recompensas da vida.
“Tenho muito orgulho da profissão que escolhi e de toda a trajetória que construí dentro do sistema prisional. São muitos anos dedicados ao trabalho, enfrentando desafios, aprendendo diariamente e sempre buscando exercer minha função com responsabilidade e humanidade. Ver meu filho seguindo esse mesmo caminho é motivo de muita emoção para mim. Saber que, de alguma forma, meu esforço, meus valores e minha dedicação serviram de exemplo é uma das maiores recompensas que poderia receber como mãe”, disse.
“O sistema prisional me transformou”
Allan afirma que a profissão também mudou sua forma de enxergar o serviço público e a responsabilidade social do trabalho realizado nas unidades prisionais.
“Sinto muito orgulho da minha trajetória e da trajetória da minha mãe. Tenho orgulho de ser policial penal e de fazer parte da Secretaria da Justiça. O sistema prisional me transformou como trabalhador e como ser humano. Foi dentro do trabalho que aprendi sobre responsabilidade, ética, compromisso coletivo e sobre a importância do serviço público. Também tenho orgulho de compartilhar essa história com minha mãe, que dedicou toda a vida ao cuidado dos filhos e ao exercício honesto da profissão”, afirmou.
Neste domingo (10), o Dia das Mães terá um significado ainda mais forte para os dois. Entre plantões, responsabilidades e anos de dedicação, mãe e filho seguem dividindo a mesma missão dentro do sistema prisional capixaba.