Um vídeo gravado durante uma corrida infantil em um shopping de Santo André transformou a história de superação do pequeno Henrique Robertes Batista, de 5 anos, em um dos conteúdos mais compartilhados nas redes sociais nas últimas semanas. Morador do bairro Alves Dias, em São Bernardo do Campo, o menino, que tem paralisia cerebral, participou pela primeira vez de uma prova ao lado de crianças sem deficiência.
Durante o percurso, Henrique sofreu uma queda após esbarrar em um coleguinha. Mesmo assim, se levantou e seguiu até a linha de chegada, incentivado por aplausos e gritos da torcida. A cena emocionou internautas, sendo um exemplo de determinação e inclusão. Veja o vídeo:
@metropolesoficial Henrique Batista, de 5 anos, viralizou nas redes com um vídeo da sua primeira participação em uma corridainfantil. O menino tem #paralisia cerebral e foi aplaudido do começo ao fim da competição, realizada na escola que ele frequenta. O vídeo bateu mais de 70 mil curtidas e acumulou milhares de comentários parabenizando a criança que, mesmo após cair durante o trajeto, não se abalou e continuou a corrida de cabeça erguida. A ideia de participar da corrida surgiu após um episódio na própria escola. A mãe, Renata Pessoa, relatou que uma colega da turma disse a Henrique que ele não sabia correr. Foi nesse momento, pela primeira vez, que o menino percebeu sua diferença física em relação às outras crianças. A família decidiu inscrevê-lo como uma forma de incentivo e de mostrar que ele pode estar onde quiser, independentemente de sua deficiência. Nas redes sociais, Renata comentou o apoio do público e os comentários acolhedores que ela e o filho têm recebido: “A gente está muito feliz, está muito surpreso com a repercussão toda que deu o vídeo. A gente postou na intenção de ser uma forma de incentivar outras pessoas, outras crianças… E mostrar que todo mundo é capaz de tudo”, afirma. Natural de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, Henrique contraiu bronquiolite aos 26 dias de vida. O quadro evoluiu para uma pneumonia e, depois, para uma sepse. Após alguns dias na UTI, ele teve alta. Aos 5 meses, seus pais perceberam que o menino tinha dificuldade motora na mão direita e foram em busca de ajuda médica. Em dezembro de 2021, saiu o diagnóstico: Henrique tinha desenvolvido leucomalácia periventricular bilateral por causa da sepse, que gerou uma lesão cerebral. Em outras palavras, a condição equivale a uma paralisia cerebral. O tipo de paralisia de Henrique é conhecido como diparesia espática, que afeta os membros inferiores. Por essa razão, o menino tinha muita dificuldade para ficar em pé e caminhar. Desde 2022, ele faz fisioterapia, o que o ajudou a conseguir andar — e agora, a participar de corridas. #TikTokNotícias
Repercussão do momento
Segundo a mãe, a fisioterapeuta Renata Pessoa, a decisão de publicar o vídeo teve como objetivo incentivar outras crianças com deficiência a participarem de atividades esportivas e sociais.
“Um pouco antes da corrida, ele teve um episódio na escola em que percebeu a diferença física dele por causa das órteses. A ideia foi mostrar que ele pode participar e incentivar outras famílias também”, relatou.
Henrique vive com os pais, Renata e Alex Lucas, e a irmã mais nova, Helena, de 1 ano. A família reside no bairro há seis anos e afirma ter se surpreendido com a dimensão que o vídeo alcançou.
Rotina de cuidados e desenvolvimento
Diagnosticado com paralisia cerebral ainda nos primeiros meses de vida, após complicações decorrentes de uma bronquiolite, Henrique segue uma rotina de cuidados e acompanhamento especializado desde 2024. Ele realiza terapias em uma clínica voltada ao atendimento de crianças com a condição, incluindo sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e musicoterapia, três vezes por semana, além de frequentar a escola regularmente.
A participação na corrida, segundo a família, representa um avanço importante no processo de socialização e desenvolvimento da criança.
Em uma conversa com a mãe depois da prova, o pequeno Henrique se mostrou feliz com o apoio no local: “Mamãe, você viu que todas as torcidas torceram por mim?”
Sonhos e cotidiano
Fora das terapias e da escola, Henrique mantém uma rotina comum à de outras crianças da mesma idade. Apaixonado por animais, ele sonha em se tornar veterinário. Também é torcedor do Palmeiras e acompanha os jogos do time, sabendo cantar todas as músicas da torcida.


