Lagos, lagoas e represas concentram as mortes por afogamento em Linhares, enquanto o mar lidera as ocorrências fatais em Guarapari. O contraste faz parte de um estudo inédito divulgado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), que mapeou onde estão os maiores riscos de afogamento no Espírito Santo e concluiu que as estratégias de prevenção precisam considerar as características de cada município, em vez de seguir um único modelo para todo o Estado.
A pesquisa foi apresentada na semana do Dia Mundial e Estadual de Prevenção ao Afogamento, celebrado neste sábado (25), e é resultado de uma parceria entre o IJSN, o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) e a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa). Além de apontar onde as mortes acontecem, o levantamento traça o perfil das vítimas, identifica períodos de maior risco e reúne informações sobre a estrutura de salvamento aquático existente nos municípios capixabas.
O risco muda conforme o município
Os dados revelam que a prevenção precisa levar em conta a realidade local. Linhares lidera o número de mortes por afogamento entre 2018 e 2026. Apesar de registrar muitas ocorrências nas praias, é nos lagos, lagoas e represas que se concentra o maior número de vítimas fatais. Em Guarapari, segundo município com mais registros, o cenário é diferente: a maior parte das mortes acontece no mar.
Segundo a major BM Gabriela Carvalho, essa diferença está relacionada às características dos ambientes aquáticos e à estrutura disponível para atendimento das ocorrências. “A maior parte das ocorrências, mesmo em Linhares, ocorre nas praias. No entanto, é nos lagos, lagoas e represas que se concentra o maior número de óbitos, justamente porque esses locais, em sua maioria, não contam com a presença de guarda-vidas, apresentam maior exposição ao risco e oferecem mais dificuldade para a flutuação”, explicou.
Verão e férias escolares elevam os registros
O estudo também identificou períodos em que os afogamentos se tornam mais frequentes. As mortes aumentam durante o verão, entre dezembro e março, e voltam a crescer em julho, mês das férias escolares. Os fins de semana concentram 38,2% dos óbitos registrados entre 2023 e 2025, mostrando que os momentos de maior lazer também exigem mais atenção da população.
Outro dado levantado pela pesquisa é o perfil das vítimas. Entre 2023 e 2025, os homens representaram 86,8% dos óbitos por afogamento no Espírito Santo. O estudo também aponta maior vulnerabilidade entre crianças de até quatro anos e jovens de 15 a 24 anos.
Dados para orientar políticas públicas
Além das estatísticas, a publicação apresenta um panorama da estrutura de salvamento aquático nos municípios capixabas e reúne iniciativas de prevenção desenvolvidas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo e pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático.
Para o diretor-geral do IJSN, Antônio Rocha, o levantamento oferece informações capazes de orientar políticas públicas e fortalecer ações preventivas. “Os dados apresentados neste estudo reforçam que a prevenção começa pelo conhecimento. Ao identificar os perfis mais vulneráveis e as características de cada território, oferecemos informações para fortalecer ações de prevenção, principalmente, sensibilizar a sociedade para a adoção de comportamentos seguros. A informação é um instrumento fundamental na preservação de vidas”, afirmou.
A divulgação do estudo ocorre em sintonia com o Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar a população sobre um problema que pode ser reduzido por meio da informação, da educação e da adoção de políticas públicas baseadas em evidências.


