El Niño pode provocar estiagem prolongada e ondas de calor no ES

Governo apresenta plano de preparação diante da previsão de menos chuva, temperaturas mais altas e risco de incêndios

Escrito por Redação

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O Espírito Santo entrou em alerta para os efeitos do El Niño. As projeções técnicas apresentadas pelo Governo do Estado nesta quarta-feira (8) indicam que o fenômeno deve atingir seu pico entre outubro, novembro e dezembro, favorecendo uma estiagem prolongada, com menos chuva, temperaturas mais altas, ondas de calor e maior risco de incêndios em vegetação. A influência do El Niño pode se estender até fevereiro.

As projeções foram divulgadas pelo governador do Estado, Ricardo Ferraço, durante a apresentação do planejamento estadual para enfrentamento dos possíveis impactos do fenômeno. O plano reúne ações de preparação, mitigação e resposta envolvendo diferentes órgãos do governo.

Durante a coletiva, Ferraço também assinou o decreto que institui o Centro Integrado de Comando e Controle, responsável por coordenar as ações do Estado diante dos possíveis impactos do El Niño. Segundo o governador, a estrutura contará com um porta-voz e divulgará boletins semanais para informar a população sobre a evolução do fenômeno e as medidas adotadas pelo governo.

De acordo com o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Ferrari Junior, os modelos climáticos mostram que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico já atingiu os níveis que caracterizam o El Niño e deve permanecer acima desse patamar justamente durante o período de maior recarga hídrica no Espírito Santo.

“Os modelos apontam o El Niño no pico e ainda atuante até janeiro, fevereiro e março. Se ele se estender durante o verão e impedir a chuva aqui, nós vamos ter essa estiagem prolongada.”

Menos chuva e mais calor

Historicamente, os anos de El Niño são marcados pela redução das chuvas no Espírito Santo. Além de chover menos, a precipitação tende a ocorrer de forma irregular, concentrada em poucos dias e em áreas específicas, o que reduz a reposição dos reservatórios e dificulta a recuperação da disponibilidade hídrica.

Outro efeito esperado é a elevação das temperaturas médias. Segundo a Defesa Civil, o calor mais intenso aumenta a evapotranspiração, reduz a disponibilidade de água e amplia os impactos sobre diferentes setores.

Ferrari Junior explicou que os registros históricos também apontam maior frequência de ondas de calor durante anos de El Niño, situação que pode trazer reflexos para a saúde da população.

Incêndios podem aumentar

A combinação de estiagem, temperaturas elevadas e baixa umidade cria um ambiente mais favorável para incêndios em vegetação. Segundo a Defesa Civil, esse comportamento já foi observado em outros episódios do fenômeno, quando houve aumento no número de focos registrados no Estado.

Apesar da tendência predominante de tempo seco, o coordenador ressaltou que isso não significa ausência total de chuva. “O ano de 2009 foi um El Niño atípico, com chuva no Estado. Pode chover em alguns municípios enquanto outros enfrentam seca, porque a distribuição da chuva fica irregular.”

Estado apresenta plano de preparação

Durante a coletiva, Ricardo Ferraço afirmou que, diferentemente de cenários recentes marcados por grandes volumes de chuva, a principal preocupação agora é uma estiagem prolongada, com impactos no abastecimento de água e na irrigação das lavouras.

“A evidência não é para incidência de chuvas. A evidência é para uma seca, um período muito prolongado de estiagem, que traz impacto para o consumo humano de água e para a irrigação das nossas lavouras.”

Segundo o governador, o Estado já estruturou um plano para enfrentar os possíveis efeitos do fenômeno e mobilizou os órgãos envolvidos para acompanhar sua evolução e reduzir os impactos à população. “O governo passa a estar mobilizado com prioridade, com meios e condições para mitigar os efeitos desse fenômeno.”

Ferraço afirmou ainda que o Espírito Santo ampliou sua capacidade de reservação de água nos últimos anos, o que, segundo ele, dá mais condições para enfrentar um período de estiagem prolongada. Ainda assim, ressaltou que eventos naturais exigem monitoramento permanente.

“Estamos prontos, equipados e antecipados para esse fenômeno. Mas, quando você está diante de um fenômeno natural, por mais que você se organize, precisa estar preparado para fatos novos”, pontuou.

O secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Victor Ricciardi Rocha, destacou que esse planejamento vem sendo desenvolvido desde 2022, por meio do programa estadual de mudanças climáticas. Segundo ele, as ações são baseadas em estudos científicos e integram uma política permanente de preparação para eventos climáticos extremos.

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