Casos de stalking crescem 30% no Brasil; ES registra mais de mil ocorrências

Crime de perseguição, que pode acontecer presencialmente ou pela internet, atingiu 123 mil registros no país em 2025

Redação

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Foto: Freepik

Perseguir alguém de forma insistente, aparecer sem aviso em locais frequentados pela vítima, enviar mensagens em excesso ou monitorar a rotina pelas redes sociais deixou de ser apenas um comportamento inconveniente. No Brasil, essas práticas configuram o crime de stalking, e os casos continuam aumentando.

Dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23), mostram que os registros de perseguição cresceram 30,1% no país em 2025. Foram 123.871 ocorrências, contra 94.836 no ano anterior.

No Espírito Santo, também houve aumento. O estado registrou 1.067 casos de stalking em 2025, alta de 15% em relação aos 917 registros contabilizados em 2024.

O que é stalking?

O termo vem do inglês e significa “perseguição”. O crime acontece quando uma pessoa passa a perseguir outra de forma repetitiva, comprometendo sua liberdade, privacidade ou segurança.

Essa perseguição pode ocorrer tanto no ambiente virtual quanto no presencial.

Entre os comportamentos mais comuns estão:

  • envio insistente de mensagens, ligações e e-mails;
  • monitoramento constante pelas redes sociais;
  • aparecimento frequente em locais onde a vítima está, sem justificativa;
  • tentativas repetidas de contato mesmo após uma negativa.

Desde 2021, o stalking é previsto na Lei nº 14.132, que estabelece pena de seis meses a dois anos de prisão, além de multa.

Como identificar um perseguidor?

Segundo especialistas, não existe um perfil único de stalker. O comportamento costuma estar relacionado a fatores emocionais e psicológicos, como dificuldade em lidar com rejeições e necessidade de controle sobre a outra pessoa.

Entre os fatores apontados estão:

  • Apego inseguro: medo intenso de abandono ou rejeição.
  • Intolerância à rejeição: dificuldade em aceitar o fim de um relacionamento ou a falta de reciprocidade.
  • Dependência emocional: idealização excessiva da vítima e necessidade constante de controle.

Quando a insistência vira um crime?

Os especialistas alertam que alguns comportamentos podem indicar que a situação ultrapassou os limites de uma simples insistência.

Os principais sinais são:

  • resistência em aceitar um “não”;
  • idealização muito rápida da relação;
  • ciúmes exagerados;
  • monitoramento constante da rotina da vítima;
  • alternância entre demonstrações excessivas de afeto e hostilidade;
  • desrespeito frequente aos limites e à autonomia da vítima.

Como pedir ajuda

Quem estiver em situação de risco deve procurar ajuda imediatamente.

Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

As vítimas também podem recorrer aos seguintes canais:

  • Ligue 180, central de atendimento à mulher, disponível 24 horas por dia, por telefone e também pelo WhatsApp (61) 9610-0180.
  • Disque 100, destinado a denúncias de violações de direitos humanos, incluindo casos de perseguição contra homens, idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Como registrar a ocorrência

A denúncia pode ser feita presencialmente em uma Delegacia da Polícia Civil ou em uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Em muitos estados, também é possível registrar o boletim de ocorrência pela Delegacia Eletrônica.

Ao fazer a denúncia, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, como a proibição de aproximação e de qualquer contato por parte do agressor.

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