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Nacionalização da Fila do INSS: Solução definitiva ou apenas pressa?
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Marcos Pimentel

Marcos André Amorim Pimentel assina a coluna de Direito Previdenciário no Portal Sim Notícias. Sócio fundador e responsável pela gestão comercial do escritório Marcos Pimentel Advogados, é bacharel em Direito e em Administração de Empresas, com mais de 30 anos de experiência em gestão empresarial e resolução de conflitos. Possui pós-graduação em Direito Tributário e Planejamento Fiscal pelo IPOG e em Direito e Prática Previdenciária pela Atame. Na coluna, aborda a Previdência Social de forma técnica, clara e objetiva, analisando semanalmente alterações legislativas, decisões dos tribunais superiores e os impactos nos cálculos de benefícios, com foco na compreensão dos direitos e deveres junto à Seguridade Social.

Uma nova medida estratégica busca mudar o ritmo das concessões de benefícios no Brasil. Desde o dia 13 de janeiro, com a implementação da “Nacionalização da Fila”, o INSS unificou o fluxo de pedidos em todo o país. O resultado imediato impressiona: mais de 118 mil análises foram iniciadas em apenas uma semana, mobilizando uma força-tarefa de 2,4 mil servidores.

A lógica é eliminar as desigualdades regionais. Agora, um servidor em uma localidade com menos demanda pode “puxar” e analisar o processo de um segurado de qualquer outro estado. A prioridade, conforme a Portaria PRES/INSS nº 1.919, são os pedidos que aguardam há mais de 45 dias — o prazo que o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu como limite para a maioria dos benefícios.

Na teoria, a engrenagem ganha velocidade com o pagamento de bônus de produtividade aos servidores. No entanto, para quem atua na área e para o cidadão que espera na ponta, a pergunta que não quer calar é: quantidade significa qualidade?

A pressão para bater metas e esvaziar a fila nacional levanta um alerta vermelho. Análises feitas “a toque de caixa” correm o risco de ignorar detalhes cruciais, resultando em indeferimentos indevidos. Se o sistema apenas “limpa” a fila administrativa negando direitos por falta de rigor na análise, o problema não é resolvido; ele é apenas transferido para a longa e custosa fila do Poder Judiciário. O reconhecimento de um direito previdenciário deve ser a garantia de uma vida digna, e não apenas um número em uma planilha de metas.

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