Inovação
Espírito Santo decolando rumo a 2032
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Evandro Milet

Evandro Milet é consultor, palestrante e articulista sobre tendências e estratégias para negócios inovadores. Possui Mestrado em Informática(PUC/RJ) e MBA em Administração(FGV/RJ). É Conselheiro de Administração pelo IBGC, Membro da Academia Brasileira da Qualidade-ABQ, Membro do Conselho de Curadores do Ibef/ES e membro do Conselho de Política Industrial e Inovação da Findes. Foi Presidente da Dataprev, Diretor da Finep e do Sebrae/ES, Conselheiro do Serpro e Banestes. Tem extensa atuação como empresário, executivo e consultor em inovação, estratégia, gestão e qualidade, além de investidor e mentor de startups, principalmente deeptechs. Tem participação em programas de rádio e TV sobre inovação. É atualmente Presidente do Cdmec-Centro Capixaba de Desenvolvimento Metal-Mecânico.
A decolagem do foguete estará garantida. Foto: Copilot
A decolagem do foguete estará garantida. Foto: Copilot

O Convento da Penha pode decolar como decolou o Cristo Redentor na capa da revista The Economist anunciando o início do crescimento acelerado do Brasil que, infelizmente, se frustrou adiante. A frustração, no entanto, não aparenta estar no horizonte do Espírito Santo. Desde 2002, o estado entrou em um rumo ascendente, com algumas características sólidas, principalmente com o envolvimento atento da sociedade civil, apoiando ciclos de planejamento que balizam o rumo. De uma economia com base no café e depois nos grandes projetos industriais com quase nada em volta, como uma pirâmide que tem topo, mas não tem base, fomos avançando em um processo de diversificação econômica que está preenchendo a pirâmide aos poucos.

É simbólico ver uma empresa como a TimeNow completando 30 anos, atuando em grandes projetos no Brasil e no exterior, ver a Imetame que também se espalhou pelo país e investe pesado em um novo porto que promete uma transformação geral em Aracruz e em toda a sua volta, que já conta com o Portocel ampliando escopo e um estaleiro. Toda uma cadeia metal-mecânica cresceu, germinada a partir, principalmente, das cabeças criativas de Walter Lídio e Carlos Aguiar. Os empresários capixabas desse setor entendem muito de celulose, mineração e siderurgia e ocupam espaços nacionais sem dever nada a ninguém.

O planejamento é um ativo fundamental do estado. O Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG), com quatro ciclos completados de planejamento, a partir de 2003, foi montando uma base, onde o cooperativismo foi fundamental, levando a termos hoje grandes empresas como Cooabriel e Natercoop gerando receitas na ordem dos 3bi e com atuação diversificada. O café plantado e exportado atraiu as grandes indústrias de café solúvel, constituindo um novo setor importante na diversificação industrial.

As grandes empresas industriais provocam um efeito que nem sempre é lembrado. O fato de serem multinacionais faz com que elas tenham práticas de gestão antenadas com o que existe de melhor no mercado. Isso transborda de algumas maneiras em volta, na formação de técnicos e gestores que participam com suas ideias e experiências em entidades da sociedade e nas exigências que cobram dos seus fornecedores. Quem fornece para essas empresas tem gabarito para fornecer para qualquer outra pelo país. O crescimento do setor industrial colabora para o crescimento do setor de serviços e do comércio, onde despontam grandes grupos e outros grandes projetos, como o Porto Central em Presidente Kennedy, com potencial de mudar totalmente o sul do estado.

As grandes empresas, com seus dirigentes e outras instituições da sociedade civil, criaram uma instituição exemplar, o Espírito Santo em Ação, que, junto com o governo estadual e a Petrobras, tem patrocinado alguns ciclos de planejamento, repetindo, um ativo fundamental do estado. O ES 500 Anos é o terceiro plano de longo prazo — sucedendo o ES 2025 e o ES 2030.

A força da decolagem foi incrementada agora com a decisão da GWM de se instalar no estado. A indústria automobilística é considerada uma das maiores e mais complexas cadeias de fornecimento do mundo, envolvendo milhares de fornecedores em diferentes níveis e integrando setores como metalurgia, química, eletrônica, logística e tecnologia. Se viabilizar, como está na pauta, a instalação do laminador de tiras a frio pela ArcelorMittal, o potencial se multiplica.

Mais uma iniciativa de planejamento se soma. O Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Espírito Santo (PCTI-ES) é uma política pública de longo prazo (10 anos) desenvolvida para posicionar o estado como um polo de excelência em CT&I. Os temas de tecnologia já deixaram de ser algo do futuro para se instalarem no presente e com uma velocidade alucinante. De atividade marginal no desenvolvimento passa para o centro do palco.

As pautas pendentes estão encaminhadas, principalmente na logística rodoviária e ferroviária e a Samarco vai logo voltar a 100% sua operação. A vocação logística do estado se consolida com os portos e os inúmeros galpões do ecommerce. O importante é ter toda uma nova economia, diversificada, com maior complexidade econômica em 2032, quando a reforma tributária estará completa e, em tese, terminarão as vantagens que o Espírito Santo teve durante o seu desenvolvimento.

A decolagem do foguete estará garantida.

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