Inovação
Economia criativa é lazer, emprego, PIB – e faz bem à alma
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Evandro Milet

Evandro Milet é consultor, palestrante e articulista sobre tendências e estratégias para negócios inovadores. Possui Mestrado em Informática(PUC/RJ) e MBA em Administração(FGV/RJ). É Conselheiro de Administração pelo IBGC, Membro da Academia Brasileira da Qualidade-ABQ, Membro do Conselho de Curadores do Ibef/ES e membro do Conselho de Política Industrial e Inovação da Findes. Foi Presidente da Dataprev, Diretor da Finep e do Sebrae/ES, Conselheiro do Serpro e Banestes. Tem extensa atuação como empresário, executivo e consultor em inovação, estratégia, gestão e qualidade, além de investidor e mentor de startups, principalmente deeptechs. Tem participação em programas de rádio e TV sobre inovação. É atualmente Presidente do Cdmec-Centro Capixaba de Desenvolvimento Metal-Mecânico.
Selo coluna Evandro Milet - arcelormittal
Economia criativa. Foto: Freepik
Na abertura das Olimpíadas em 2012 em Londres, a Rainha Elizabeth desceu de paraquedas no estádio, ao lado de James Bond, o agente britânico 007. Claro que foi uma encenação com dublês dela e do ator inglês Daniel Craig, que fazia o papel do agente na ocasião. Mas não foi simplesmente uma performance para entreter e impressionar a plateia mundial que assistia. Tem business por trás. A economia criativa concorre com 6% do PIB e 7% dos empregos na Inglaterra, e o cinema é boa parte disso, assim como a música. Certamente é a explicação para os títulos de Sir dados a Paul McCartney, Ringo Starr (John Lennon e George Harrison morreram antes de serem condecorados certamente), Elton John, Mick Jagger, Anthony Hopkins, Sean Connery e Charles Chaplin, entre outras celebridades britânicas. A criatividade sempre foi o ponto de partida para grandes inovações ao longo da história da humanidade e emprega muita gente. Se você permanecer sentado na sala de cinema após a conclusão do filme, verá uma lista interminável de nomes que participaram do projeto. O termo “economia criativa” pode ser definido como o setor da economia que tem o capital intelectual – ou seja, a capacidade criativa – como a principal matéria-prima na produção de bens e serviços. Em 2010, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) criou a seguinte classificação para as indústrias criativas:
  • Espaços culturais: sítios arqueológicos, museus, bibliotecas, exposições
  • Expressões culturais tradicionais: artes e artesanato, festas, celebrações
  • Artes cênicas: música, teatro, dança, ópera, circo, fantoches
  • Artes visuais: pintura, escultura, fotografia
  • Audiovisuais: cinema, televisão, rádio e outros derivados da radiodifusão
  • Editoração e mídia impressa: livros, imprensa e outras publicações
  • Novas mídias: softwares, videogames, conteúdos criativos digitalizados
  • Serviços criativos: arquitetura, publicidade, pesquisa e desenvolvimento, atividades culturais e recreativas
  • Design: interiores, gráfico, moda, jóias, brinquedos
Enquanto no Brasil muitos ainda encaram políticas de incentivo cultural como desperdício de dinheiro público, muitos países intensificam seus esforços para aumentar a produção local de audiovisual e de cultura em geral, com seus desdobramentos em emprego, turismo e imagem internacional. Não precisa muito para lembrarmos de Hollywood, da moda francesa, do design italiano, do balé russo, dos museus europeus e americanos, das pirâmides do Egito, de Machu Picchu, do Vale do Silício, da Arena de Verona, de Oxford e Harvard, da Disneyworld, do Scala de Milão, do Prêmio Nobel, dos grandes shows de música, do Cirque du Soleil, das premiações do Oscar e Grammy, dos musicais da Broadway, da Netflix e de inúmeros outros destaques da economia criativa. Além de empregar muitas pessoas, gerar divisas de exportação e impostos, a economia criativa pode contribuir para o que se denomina “soft power” de um país, gerando respeito, admiração, turismo e até simpatia na ocupação de espaços no relacionamento internacional. Também não ficamos fora da economia criativa com a bossa nova, o Carnaval, as novelas, Rock in Rio, Niemeyer e Sebastião Salgado, apesar do pouco caso com inúmeras outras possibilidades Brasil afora, porém sem reconhecimento internacional. A indústria criativa passou a representar 2,9% do PIB brasileiro em 2020, totalizando R$ 217,4 bilhões, em comparação com 2,6% em 2017. Este é o maior valor já registrado pelo setor desde o início do mapeamento, realizado pela Firjan desde 2004, quando registrou 2,1%. Temos que valorizar mais esse caminho.

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