Alexandre Vieira Brito é psicólogo e mestre em Psicologia Institucional pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Possui especialização em Filosofia e Psicanálise pela Ufes, bem como em Políticas Públicas e Socioeducação pela Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência em saúde mental, formação profissional, políticas públicas e socioeducação. Realiza atendimento clínico desde 2010. Também é professor universitário e palestrante, articulando a psicologia em suas interfaces com outros saberes.
13 de novembro de 2024
Em entrevista à BandNews FM Espírito Santo, o psicólogo Alexandre Brito alertou sobre o crescente problema do vício em jogos de apostas, que tem se tornado uma questão de saúde pública. Segundo Brito, a facilidade de acesso aos aplicativos de apostas e a promessa de ganhos rápidos levam muitas pessoas a desenvolver uma dependência. “Isso está se tornando um problema coletivo, afetando famílias e empresas”, afirma. Brito destaca que o vício é agravado pelo marketing intenso e pela falta de regulamentação, criando uma ilusão de lucro rápido para pessoas em situação de vulnerabilidade.
A compulsão pelos jogos de apostas se assemelha ao vício em drogas, levando a um comportamento irracional. O especialista ressalta que o ciclo começa com ganhos iniciais, mas rapidamente evolui para perdas significativas, levando a um comportamento compulsivo e à tentativa desesperada de recuperar o dinheiro perdido. “As pessoas não sabem colocar limites, seja na perda ou na ganância de ganhar mais”, explica o psicólogo.
Falta de educação financeira
Brito apontou a falta de educação financeira como um fator que agrava o problema. “O brasileiro não sabe diferenciar aposta de investimento. Essa precariedade nos faz cair nas armadilhas dos jogos”, comenta. Ele menciona que muitos acabam apostando mais do que podem, agravando a situação financeira e a saúde mental. O psicólogo alerta que, muitas vezes, a vergonha impede as pessoas de procurarem ajuda, mas pedir suporte profissional pode ser essencial para superar o vício.
O tratamento do vício em jogos pode envolver várias abordagens, incluindo terapia e, em casos graves, medicação psiquiátrica. “É fundamental que as pessoas procurem psicólogos ou grupos de apoio, especialmente quando a vergonha dificulta a busca por ajuda”, sugere Brito. Ele também enfatiza a necessidade de maior regulamentação dos aplicativos de apostas, pois a falta de limites claros contribui para o aumento do problema. Além disso, Brito destaca que medidas políticas são necessárias para enfrentar essa nova crise de saúde pública.
Impactos sociais e profissionais
O vício em apostas não afeta apenas o indivíduo, mas também suas relações familiares e profissionais. Empresas já enfrentam dificuldades com a saúde mental de seus colaboradores devido ao aumento do vício em jogos. “A ansiedade e a depressão estão cada vez mais presentes, e o vício em apostas só intensifica esses problemas”, alerta Brito. Ele recomenda que as empresas adotem estratégias de apoio e promovam a educação financeira entre seus funcionários para ajudar a mitigar o problema.
Ao final da entrevista, Alexandre Brito reforçou a importância de reconhecer o vício e buscar ajuda para interromper o ciclo prejudicial. “Ter consciência do problema e compartilhar com alguém de confiança é o primeiro passo para superar esse vício”, concluiu o psicólogo.