Agro & Coop
Mais de oito mil propriedades capixabas vão receber projeto para cultivar café de forma mais sustentável
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Vinícius Baptista

Vinícius Baptista é jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Marketing Político, e apaixonado por contar histórias. Ao longo dos anos, tem rodado o Estado para mostrar como que o agro e o cooperativismo tem transformado a vida das pessoas.
Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do país e líder na produção de conilon. Foto: Divulgação/Gov ES
Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do país e líder na produção de conilon. Foto: Divulgação/Gov ES

Melhorar a qualidade garantindo a sustentabilidade das propriedades rurais. Esse é o maior desafio do Espírito Santo quando o assunto é o seu principal produto agrícola. Para isso, o Estado pretende levar até o fim deste ano, um plano de desenvolvimento sustentável para mais de oito mil produtores capixabas de café.

Ontem, dia 14 de abril, foi celebrado o Dia Internacional do Café, momento em que especialistas avaliam a trajetória construída ao longo das décadas por produtores que transformam desafios em avanços que colocaram o Estado como uma das principais forças do agronegócio do país.

“A cafeicultura do Espírito Santo é uma das mais diversas e completas do mundo. Nós produzimos arábica e conilon com quantidade, qualidade e cada vez mais com sustentabilidade. Nossa cafeicultura está entre as lideranças técnicas e de mercado no mundo”, destacou Michel Tesch, subsecretário de Estado de Desenvolvimento Rural.

Tesch acrescentou que o Espírito Santo já é referência em quantidade e cada vez mais em qualidade nos grãos. Agora, o momento é de alavancar a sustentabilidade nas lavouras. “Temos um projeto chamado Cafeicultura Sustentável que tem como meta chegar a 8070 propriedades rurais até o final de 2026. Nesse projeto, serão analisados 39 indicadores e que darão origem à elaboração de um plano de evolução, para que essas propriedades melhorem esses indicadores e, com isso, esses produtores possam ofertar café sustentável para qualquer mercado do mundo”, explicou o subsecretário.

Hoje, o Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do país e líder na produção de conilon. Segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o café é responsável por 37% do PIB agropecuário do Estado, envolvendo aproximadamente 60 mil propriedades e mais de 130 mil famílias. Em 2025, a produção capixaba se aproximou de 18 milhões de sacas, com destaque para o conilon, que mantém o Espírito Santo na liderança nacional da variedade.

Para o empresário Marcus Magalhães, presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e diretor da Fecomércio, esse protagonismo não surgiu por acaso. Ele é resultado de um processo contínuo de adaptação, investimento e resistência no campo.

“O produtor capixaba aprendeu a transformar dificuldade em estratégia. O que vemos hoje é uma cadeia produtiva mais preparada, mais eficiente e com capacidade real de competir em qualidade e volume nos mercados mais exigentes do mundo”, afirmou o presidente.

Apesar dos avanços, o setor segue enfrentando desafios, diante de um cenário internacional, marcado por instabilidades geopolíticas, como guerras, e por mudanças nas políticas comerciais. Ainda assim, a combinação entre conhecimento técnico, organização produtiva e articulação comercial tem permitido ao Espírito Santo sustentar sua posição estratégica no mercado. “O café capixaba chegou a um nível de maturidade que permite enfrentar crises sem perder competitividade. Mas é preciso atenção constante ao cenário global, porque hoje o mercado é internacional e qualquer movimento lá fora impacta diretamente o produtor aqui”, destacou Magalhães.

No cenário brasileiro, a cafeicultura continua em expansão. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra de 2026 alcance 66,2 milhões de sacas de café Arábica e Conilon. E o café capixaba segue como um dos protagonistas.

“Uma expectativa muito boa de safra no arábica, já que estamos no ano de bienalidade positiva. Então temos uma projeção de volume de café bastante substancial. Obviamente que o cenário desenhado para preços exige do cafeicultor uma atenção maior dos seus custos de produção e de manejo. Mas a nossa expectativa para esse ano é de termos safra boa, de termos cafés diversos, de qualidade, com perfis sensoriais que atendam as demandas dos consumidores. Seguimos trabalhando para posicionar o Espírito Santo como uma das principais origens produtoras de ciência, de tecnologia, de empreendedorismo no café, e mostrar que somos uma região de referência de prosperidade das famílias produtoras de café. Esse é um tema muito relevante, sobretudo nas discussões internacionais, de como as famílias prosperam a partir do café. E o Espírito Santo é um exemplo que vamos mostrar para o mundo. Basta visitar as regiões produtoras e ver o nível de qualidade de vida dos nossos produtores”, celebrou o subsecretário Michel Tesch.

“A gente costuma dizer que você pode beber o ‘mundo’ de café no Espírito Santo. Pela nossa diversidade de clima, relevo, solo, a gente produz praticamente todos os perfis sensoriais que o mundo produz. Nós temos conilon de excepcional qualidade no Norte, Noroeste e Sul do Estado, com características distintas, sendo produzidos das maneiras mais diversas como natural, cereja descascada, os fermentados que imprimem características sensoriais únicas nesses cafés. E no arábica, nós temos historicamente na região de montanhas, região do Caparaó, com perfis bastantes diferenciados também. Cafés que são apreciados nos principais mercados mundiais. Nós exportamos cafés para 92 países. E a gente deve ter mais de 170 micro torrefações espalhadas pelo Estado, de produtores que dedicam tempo, conhecimento e aproveitaram da ciência gerada aqui para evoluir a qualidade dos seus cafés. Esses produtores passaram também a torrar, embalar e vender, verticalizando a produção e agregando valor ao produto”, finalizou Tesch.

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