Agro & Coop
Dos fertilizantes à logística: o custo da guerra para o agronegócio capixaba
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Vinícius Baptista

Vinícius Baptista é jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Marketing Político, e apaixonado por contar histórias. Ao longo dos anos, tem rodado o Estado para mostrar como que o agro e o cooperativismo tem transformado a vida das pessoas.
Guerra afeta o agronegócio no Espírito Santo. Foto: Divulgação
Guerra afeta o agronegócio no Espírito Santo. Foto: Divulgação

O mundo assiste em tempo real, e muitas vezes sem saber quais imagens são verdadeiras e quais são produzidas por Inteligência Artificial, uma guerra de proporções incalculáveis. Mas, o que se pode afirmar é que um conflito escalável e que envolve algumas das maiores potências mundiais costuma afetar a economia de todo o planeta. E com o Espírito Santo não é diferente. Para se ter uma ideia, só no ano passado, o agronegócio capixaba exportou quase um bilhão de reais em produtos para a região que hoje está em conflito.

“Em 2025, o Espírito Santo exportou aproximadamente US$ 186 milhões com os produtos do agro para essa região do Golfo Pérsico. Basicamente US$ 120 milhões em café verde e solúvel, e também US$ 56 milhões em pimenta. O Espírito Santo é o maior exportador nacional de pimenta, e, no ano passado, 20% do que foi exportado, foi para esta região. Ou seja, é um mercado extremamente relevante”, destacou o secretário estadual de Agricultura Enio Bergoli.

O secretário informou que toda a cadeia de produção deverá ser impactada, principalmente no que diz respeito ao transporte dos produtos do agro capixaba. “Toda guerra traz muitas dificuldades, principalmente no campo de logística e de comercialização dos produtos. Já temos efeitos negativos, como por exemplo, a alta do preço petróleo, que impacta muito em questões de logística. Com o estreito de Ormuz fechado, o custo da logística fica mais caro. Afinal, teremos que usar rotas alternativas o que deixariam o curso bem mais caro”, pontuou Bergoli.

Outro impacto que a guerra tem na produção agrícola do Espírito Santo é no preço dos fertilizantes. “O Irã é um grande produtor e exportador de produtos nitrogenados, de fertilizantes. E de fertilizantes que usam também o petróleo na sua produção. Isso impacta no aumento de custos para a produção nacional e capixaba, já que somos grandes importadores desses fertilizantes. Nós teremos aqui no Brasil, e com efeitos no agro capixaba, o aumento no custo da produção. Se aumenta o custo com fertilizantes, se aumenta o custo do frete com o transporte por conta do petróleo mais caro, também vamos ter um aumento direto na operação das máquinas agrícolas que são movidas, basicamente, a diesel”, explicou o secretário.

Mas, como toda crise também pode gerar oportunidades, o secretário acredita que um produto do agro capixaba pode se beneficiar com a crise no Oriente Médio. “Oportunidades podem surgir, como por exemplo, para a carne de frango. O Irã é um grande produtor e exportador de frango. Agora, eles terão dificuldade de comercializar. E isso abre perspectivas para a carne de frango brasileira e capixaba”, finalizou Bergoli.

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