
Irregularidades e abandono
A situação do Iron Trader chamou atenção das autoridades brasileiras. A embarcação apresentava diversas irregularidades, incluindo certificados vencidos, equipamentos defeituosos, excesso de lixo e esgoto sanitário, além de falta de combustível, alimentos e água potável. Essas condições levaram à detenção formal do navio no Brasil e à abertura de processo no Tribunal Marítimo por abandono e risco à tripulação. Em 2020, o navio foi leiloado para pagamento de dívidas trabalhistas com os tripulantes. O valor arrecadado foi de R$ 400 mil, e o arremate foi feito pela empresa Sudeste Soluções Ambientais Eireli, com sede na Serra, que deverá destiná-lo à sucata. Até a venda, a embarcação estava sob responsabilidade da Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo).Operação de retirada
A retirada do navio ocorre após esforço coordenado da Vports, que passou a atuar diretamente após acordo com a empresa compradora. Segundo o diretor de Infraestrutura e Operações da Vports, Alsimar Damasceno, foram necessárias três etapas: contratação de uma empresa especializada para avaliar a embarcação, realização das adequações estruturais e elaboração de um plano de reboque, aprovado pela Marinha do Brasil. Conforme explicou o coordenador de Tráfego de Embarcações da Vports, Agostinho Sobral, quatro rebocadores participarão da manobra inicial no canal do porto. Depois, dois deles seguirão com a embarcação até o litoral catarinense — um à frente puxando e o outro na retaguarda, oferecendo suporte. A embarcação seguirá vazia, sem carga, tripulantes ou combustível, sob comando de um tow master, profissional especializado em condução de reboques. A operação contará ainda com seguro marítimo e serviço de monitoramento meteoceonográfico em tempo real. A velocidade da travessia será reduzida, com média de quatro nós, o equivalente a menos de oito quilômetros por hora.Novo uso para o berço 902
Com a liberação do berço 902, a expectativa da Vports é promover obras de revitalização no local. O objetivo é ampliar a capacidade de escoamento de cargas e impulsionar o desenvolvimento do porto e da economia capixaba. LEIA MAIS:- Temporais voltam ao Espírito Santo com risco de alagamentos
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