Nos últimos dias, o caso envolvendo a Apex Partners ganhou grande repercussão no Espírito Santo. As inconsistências financeiras divulgadas são relevantes, envolvem valores expressivos e precisam ser apuradas com rigor, transparência e responsabilidade.
As informações tornadas públicas apontam para um passivo preliminar próximo de R$ 1 bilhão. Auditorias e apurações estão em andamento, e ainda não sabemos quais serão os impactos definitivos para investidores, empresas, fundos e empreendimentos envolvidos.
Mas existe uma parte dessa história que não pode ser esquecida: a engenharia.
Nos últimos anos, bilhões de reais foram mobilizados em investimentos e empreendimentos imobiliários relacionados ao grupo. Somente o segmento imobiliário chegou a divulgar aproximadamente R$ 3 bilhões em ativos sob gestão e supervisão, além de projetos que, somados, alcançavam bilhões de reais em Valor Geral de Vendas.
E esses empreendimentos não foram feitos de forma improvisada.
Grandes construtoras participaram dos projetos. Empresas reconhecidas de gerenciamento, fiscalização e auditoria estiveram envolvidas. Engenheiros, arquitetos, projetistas, calculistas e profissionais experientes trabalharam diretamente no desenvolvimento e execução das obras.
Projetos foram elaborados, responsáveis técnicos foram contratados, normas técnicas foram aplicadas, obras foram fiscalizadas e controles de qualidade foram realizados.
Isso precisa ser separado das questões financeiras que agora estão sendo investigadas.
Uma possível irregularidade financeira não transforma automaticamente um projeto bem elaborado em um projeto ruim. Também não transforma engenheiros, projetistas, construtoras e empresas de fiscalização sérias em responsáveis por decisões financeiras das quais muitas vezes sequer participaram.
Cada responsabilidade precisa ser analisada individualmente.
E existe algo que ninguém pode ignorar: o resultado da engenharia está nas ruas.
Empreendimentos de alto padrão foram entregues, novos conceitos arquitetônicos chegaram ao Espírito Santo e algumas regiões passaram por uma transformação significativa.
Na minha avaliação, esse movimento ajudou inclusive a elevar o patamar do mercado imobiliário capixaba. Quando novos empreendimentos apresentam arquitetura diferenciada, melhores áreas comuns, soluções de engenharia mais sofisticadas e padrões elevados de acabamento, todo o mercado é pressionado a evoluir.
Houve impacto na percepção de valor dos imóveis, na concorrência entre incorporadoras e na própria expectativa do consumidor.
Independentemente da discussão financeira que agora está acontecendo, existem edifícios construídos, projetos executados e entregas de engenharia que mudaram a paisagem de nossas cidades.
O que acontecerá daqui para frente ainda não sabemos.
É necessário aguardar as auditorias, as investigações e as decisões das autoridades competentes. Caso sejam comprovadas irregularidades, os responsáveis deverão responder por elas.
Mas também precisamos evitar julgamentos generalizados.
Há muitos profissionais sérios, engenheiros, projetistas, construtoras, fornecedores, empresas de gerenciamento e auditoria que fizeram corretamente o seu trabalho e contribuíram para importantes entregas da construção civil capixaba.
Apurar possíveis erros é necessário. Mas isso não pode apagar a engenharia, os profissionais e as boas entregas que também fazem parte dessa história.





