A crise envolvendo a Apex Partners, uma das maiores empresas de investimentos do Espírito Santo, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias após a identificação de inconsistências financeiras que podem chegar a R$ 975 milhões. O caso resultou no afastamento do fundador e presidente Fernando Antonio Kulnig Cinelli, de outros executivos, em ações judiciais, na contratação de auditoria externa e em uma medida cautelar concedida pela Justiça para preservar as atividades da empresa.
Veja o que se sabe até agora.
Presidente afastado diz que vai colaborar
Após ser afastado da presidência da Apex Partners, Fernando Antonio Kulnig Cinelli se pronunciou pela primeira vez sobre a crise. Em nota enviada por sua assessoria, o empresário afirmou estar “dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas” e disse que pretende colaborar integralmente com as investigações.
Segundo o comunicado, o afastamento demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas “com total transparência e idoneidade”.
Como a crise começou
A Apex informou que as inconsistências financeiras foram identificadas durante uma apuração interna conduzida pelos sócios da companhia.
Diante da situação, o conselho de administração decidiu afastar imediatamente Fernando Cinelli e o então diretor financeiro, Eduardo Siqueira, para permitir uma investigação independente sobre os fatos e seus impactos.
A empresa também anunciou a contratação de uma auditoria externa para dimensionar a extensão das inconsistências.
Sócios vão à Justiça
Após a descoberta das irregularidades, os sócios da Apex anunciaram que ingressarão na Justiça com uma ação de responsabilidade contra Fernando Cinelli.
Segundo a empresa, o objetivo é responsabilizar o ex-presidente por suposta gestão temerária e má-fé, além de solicitar o bloqueio preventivo de seus bens.
A companhia informou ainda que pretende buscar eventual responsabilização nas esferas cível e criminal, caso as irregularidades sejam confirmadas.
Justiça concede proteção à empresa
Na sexta-feira (7), a Apex conseguiu uma liminar na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória.
Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Pereira Sanches entendeu que existe um passivo líquido consolidado de aproximadamente R$ 975 milhões e considerou que uma eventual corrida de credores poderia comprometer a continuidade das operações da empresa.
A decisão suspende temporariamente ações de cobrança, execuções, penhoras, arrestos e bloqueios de bens das empresas abrangidas pela medida.
Segundo a Apex, a tutela cautelar não representa um pedido de recuperação judicial, mas uma medida preventiva para garantir estabilidade enquanto a auditoria externa é realizada.
A Justiça determinou que a empresa apresente, no prazo de 30 dias, eventual pedido de recuperação judicial, caso entenda ser necessário, sob pena de perda da eficácia da liminar.
BTG encerra parceria
Outro desdobramento da crise foi o encerramento da parceria operacional entre a Apex Partners e o BTG Pactual na área de assessoria de investimentos.
Apesar disso, a empresa afirmou que os clientes não serão prejudicados, já que os recursos continuam custodiados no BTG Pactual, considerado o maior banco de investimentos da América Latina.
Segundo a Apex, os assessores de investimentos seguem atendendo normalmente enquanto uma nova parceria estratégica é definida.
Governo do Estado nega exposição de recursos públicos
A repercussão do caso levou o Governo do Espírito Santo a se manifestar.
Por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), o Estado informou que não existem recursos públicos investidos na Apex Partners.
Segundo a pasta, os recursos do Tesouro Estadual permanecem exclusivamente aplicados no Banestes, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Já os recursos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) são administrados pelo Bandes e pelo Banestes, seguindo regras de governança e critérios técnicos.
O que acontece agora
Enquanto a auditoria externa é preparada, a presidência da Apex passou a ser exercida interinamente por Marcelo Murad.
A empresa afirma que manterá transparência durante todo o processo, promete esclarecer integralmente os fatos e diz que sua prioridade é preservar as operações, proteger investidores, clientes e parceiros e responsabilizar eventuais envolvidos caso as irregularidades sejam confirmadas.


