Júri vai a Camburi avaliar condições do atropelamento de modelo

A medida tem como objetivo fazer com que o júri observe as mesmas condições do acidente

Josue de Oliveira

Compartilhe

O julgamento da acusada de atropelar a modelo começou nesta quarta-feira. Foto: Divulgação

Os jurados, advogados de defesa, de acusação e promotores que atuam no julgamento do atropelamento da modelo Luísa Lopes terão que ir pessoalmente à avenida Dante Michelini, em Camburi, para ver de perto as condições do acidente causado pela corretora Adriana Felisberto. A medida foi determinada pelo juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, da 1ª Vara Criminal de Vitória e responsável por presidir o júri popular do caso da modelo.

A medida tem como objetivo fazer com que o júri observe, no próprio local e nas mesmas condições de horário e iluminação do dia do acidente, a dinâmica em que Luísa foi atropelada e morta pela corretora. A expectativa é de que a visita ao local do acidente aconteça na noite desta quarta-feira.

Julgamento

O primeiro dia do julgamento da corretora Adriana Felisberto Pereira, acusada pela morte da ciclista Luísa Silva Lopes Barros, foi marcado pelos depoimentos de testemunhas e peritos no Fórum Criminal de Vitória. A expectativa é de que o júri não seja concluído nesta quarta-feira (5) e se estenda até a próxima sexta-feira (7), em razão da complexidade do caso. A acusada não acompanhou o julgamento presencialmente.

Durante a manhã, foram ouvidos dois policiais e uma testemunha que estava no local do atropelamento. Já no período da tarde, prestou depoimento o policial responsável pela perícia do vídeo que mostra a ré consumindo bebida alcoólica. Em seguida, foi ouvido o perito que analisou as imagens da colisão.

Quatro anos após a morte de Luísa, Adriana enfrenta o Tribunal do Júri acusada de homicídio qualificado. Logo no início da sessão, o Ministério Público destacou a relevância do julgamento e defendeu que o caso representa um importante debate sobre a responsabilização no trânsito.

Ao longo do julgamento, os promotores também detalharam aos jurados as qualificadoras atribuídas à acusada, que responde por homicídio qualificado. A estratégia da defesa é tentar afastar a tese de homicídio qualificado. Os advogados sustentam que o atropelamento foi um acidente inevitável diante das circunstâncias e argumentam que Adriana não assumiu o risco de provocar a morte da vítima.

Segundo a denúncia, Luísa atravessava a Avenida Dante Michelini de bicicleta, utilizando a faixa de pedestres, quando foi atingida pelo veículo. A investigação aponta ainda que a motorista trafegava acima da velocidade permitida na via.

Representantes da família da vítima afirmaram que o julgamento também tem um papel de conscientização para que mortes no trânsito não sejam tratadas como algo comum e defendem que a responsabilização pode contribuir para evitar novas tragédias.

Como será o julgamento

A sessão foi realizada no plenário do Tribunal do Júri no Fórum de Vitória. Os trabalhos começaram com o sorteio e formação do Conselho de Sentença, composto por sete jurados. Em seguida, foram ouvidas as testemunhas convocadas, caso ainda haja alguma pendência.

Na sequência, deram início aos debates entre acusação e defesa. Primeiro, o Ministério Público apresentou seus argumentos pela condenação. Depois, a defesa fez a sustentação em favor da acusada.

Relembre o caso

Luísa Silva Lopes Barros tinha 24 anos, era estudante de Oceanografia da Ufes, modelo e passista da escola de samba Unidos de Jucutuquara. Na noite de 15 de abril de 2022, ela pedalava pela Avenida Dante Michelini quando foi atingida pelo carro conduzido por Adriana Felisberto Pereira. A estudante chegou a ser atendida por equipes do Samu, mas morreu ainda no local.

De acordo com as investigações, a motorista trafegava a cerca de 72 km/h em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h. A polícia também apontou que ela apresentava sinais de embriaguez e se recusou a realizar o teste do bafômetro.

Segundo a investigação, antes do acidente, Adriana havia consumido bebidas alcoólicas em estabelecimentos de Jardim Camburi e da Praia do Canto. Ela chegou a ser presa em flagrante, mas foi liberada após o pagamento de fiança.

Leia também

Para melhorar a sua navegação, nós utilizamos Cookies e tecnologias semelhantes.
Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Política de Privacidade