Agro & Coop
Por que o café escapou do novo tarifaço do Trump?

Em meio a mais uma bomba lançada nesta semana sobre a economia brasileira, com a confirmação por parte dos Estados Unidos de mais um tarifaço de 25% sobre vários produtos do país, um segmento fundamental para o Espírito Santo pode aproveitar esse momento para ficar ainda mais forte. A exclusão do café brasileiro da nova proposta tributária capitaneada pelo presidente Donald Trump pode ser interpretada como um sinal de que o mundo – e principalmente os americanos – não conseguem mexer no preço do café brasileiro sem impactar sua inflação interna e sem afetar o bolso do cidadão americano comum.

Para alguns especialistas do setor, isso pode ser visto como um reconhecimento da importância do café brasileiro para o abastecimento e para a indústria de bebidas dos Estados Unidos. “O Brasil é o maior produtor mundial de café e os Estados Unidos são os maiores consumidores de café do mundo. Tanto do torrado e moído quanto do solúvel. Então, a ausência do café nesse tarifaço é bom para os dois lados. É bom para nós que exportamos e bom para eles que consomem. Assim eles também ganham uma ferramenta para controlar a inflação deles, tendo um café mais acessível na mesa do americano. Eles sabem que não tem para onde correr. Eles precisam do café brasileiro para abastecer o mercado com um produto de qualidade e com preços interessantes”, explicou o presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e especialista em mercado do agronegócio, Marcus Magalhães.

Por ser o líder na produção nacional de café conilon e um dos principais polos brasileiros de cafés especiais, o Espírito Santo deve aproveitar o momento para melhorar sua capacidade de negociação com os compradores de fora.

“Isso deixa muito claro o protagonismo do Brasil como a maior origem produtora de café do mundo. Taxar o café brasileiro é a validação de aumento de preço do café para o consumidor final. O mundo não vive sem o café do Brasil. Somos os protagonistas nesse cenário e precisamos aprender com essa situação que nós presenciamos a negociar melhor, a se impor melhor nos mercados, porque a gente tem produção e o mundo precisa da nossa produção. Não há nenhuma outra origem no mundo capaz de colocar na economia global o volume de café que o Brasil coloca anualmente”, acrescentou Magalhães.

O Espírito Santo pode aproveitar o momento para avançar ainda mais sobre o mercado americano, e colocar cada vez mais café produzido aqui na mesa da maior economia mundial. “Vamos lembrar que temos três plantas de café solúvel no Espírito Santo – duas em Linhares e uma na Grande Vitória – que precisam ter mercados abertos para poder operar dentro da sua totalidade produtiva. Quanto mais compradores nós tivermos no mercado, a gente garante uma maior sustentação do preço pago aos produtores. E lembrando que dias atrás nós tivemos a assinatura do acordo do Mercosul com a União Europeia onde o café solúvel também foi colocado com tarifa zero de forma decadencial ao longo dos próximos quatro anos. Então, hoje o cenário do café para o Brasil é muito interessante porque trabalhamos sem fronteiras e com capacidade produtiva para abastecer grande parte do planeta”, finalizou o especialista.

Foto de Vinícius Baptista

Vinícius Baptista

Vinícius Baptista é jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Marketing Político, e apaixonado por contar histórias. Ao longo dos anos, tem rodado o Estado para mostrar como que o agro e o cooperativismo tem transformado a vida das pessoas.

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