Arena de Ideias

O futuro precisa de bons comandantes
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Marcelo Santos

Presidente da Assembleia Legislativa

Foto: Gemini

Durante muito tempo, associamos desenvolvimento ao que conseguimos enxergar. Novas avenidas, pontes, prédios, praças e grandes obras sempre foram símbolos de progresso. E continuam sendo. Mas as cidades do futuro serão definidas também por algo que nem sempre aparece aos olhos: a capacidade de organizar informações e transformá-las em decisões que melhorem a vida das pessoas.

Quando falamos em cidades inteligentes, o debate não deveria começar pela tecnologia. Deveria começar pela gestão.

Há uma diferença importante entre uma cidade repleta de equipamentos modernos e uma cidade verdadeiramente inteligente. A primeira acumula ferramentas. A segunda sabe usá-las para resolver problemas reais.

Pensar que uma cidade inteligente se resume à tecnologia é como acreditar que um hospital é definido pelos aparelhos que possui, e não pela qualidade dos diagnósticos que entrega aos pacientes.

Na administração pública, os dados cumprem um papel cada vez mais importante. Eles ajudam a identificar gargalos, antecipar demandas e tornar os serviços mais eficientes. Mas quem conhece a rotina da gestão sabe que números, sozinhos, não contam toda a história. Eles mostram tendências, mas são as pessoas que revelam as urgências, as dificuldades e as prioridades de cada comunidade.

A tecnologia pode indicar onde há congestionamentos. O que ela não consegue fazer é sentir o impacto que horas perdidas no trânsito causam na vida de um trabalhador ou de uma mãe que precisa buscar o filho na escola. Ela pode apontar a necessidade de um serviço público, mas não substitui o olhar atento de quem conhece a realidade de cada bairro.

Vitória é um bom exemplo dessa reflexão. Nossa capital possui excelentes indicadores urbanos, equipes técnicas qualificadas e um ambiente favorável à inovação. Mas aplicativos, plataformas e sistemas, por si só, não resolvem desafios complexos como mobilidade, segurança ou inclusão social.

Por isso, o maior desafio não é tecnológico. É humano e institucional.

Nenhuma ferramenta transforma uma cidade sozinha. A verdadeira mudança acontece quando informações são convertidas em planejamento, políticas públicas eficientes e soluções conectadas com a vida real da população.

Costumo dizer que a tecnologia é como um copiloto. Ela ajuda a organizar informações, aponta rotas e reduz erros. Mas quem segura o manche continua sendo o ser humano. Nenhum avião chega ao destino sem alguém preparado para conduzi-lo.

Por isso, discutir o futuro das cidades também significa investir na formação de gestores mais preparados, fortalecer instituições e criar oportunidades para que as novas gerações assumam o protagonismo das transformações que já estão em curso.

O futuro não é uma promessa distante. Ele está sendo construído agora, em cada decisão que tomamos. E talvez o maior desafio não seja tornar as cidades mais inteligentes, mas preparar as pessoas que terão a responsabilidade de conduzi-las.

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