O Espírito Santo é hoje o maior produtor brasileiro de café conilon e uma das principais referências mundiais quando o assunto é produtividade, qualidade e sustentabilidade. Nossa safra de 2026 deve alcançar cerca de 19 milhões de sacas, segundo estimativas da Conab. Desse total, aproximadamente 14,9 milhões de sacas são de conilon, o equivalente a cerca de 67% de toda a produção nacional dessa variedade.
Os números impressionam. Mas o que realmente diferencia o Espírito Santo é a forma como chegamos até aqui.
Nos últimos anos, enfrentamos desafios severos. Passamos por longos períodos de estiagem, convivemos com os impactos das mudanças climáticas, acompanhamos transformações profundas no comércio internacional e vimos o mercado global ser afetado por crises sanitárias, conflitos geopolíticos e novas exigências ambientais. Em vez de recuar, o produtor capixaba respondeu com investimento, tecnologia, profissionalização e inovação.
O resultado é um modelo de cafeicultura que hoje desperta a atenção de compradores, investidores e especialistas de diferentes partes do mundo.
Talvez nenhum outro lugar reúna uma combinação tão estratégica entre produção e logística. O café produzido nas montanhas, no norte ou no sul do Espírito Santo está a poucas horas dos portos de exportação. Essa proximidade reduz custos, aumenta a eficiência e fortalece nossa competitividade em um mercado cada vez mais exigente.
É justamente essa trajetória que credencia o Espírito Santo a sediar um encontro da relevância do Vitória Coffee Summit 2026.
Reunir especialistas, pesquisadores, empresários e lideranças de países como Brasil, Colômbia e Vietnã não é apenas motivo de orgulho. É o reconhecimento de que o Espírito Santo conquistou autoridade para participar das discussões que definirão o futuro da cafeicultura mundial.
O Vitória Coffee Summit será um espaço onde conhecimento, inovação e negócios caminham juntos para preparar o setor para os desafios das próximas décadas. Mais do que celebrar os 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória, o evento simboliza uma nova etapa para o Espírito Santo. Uma etapa em que deixamos de ser apenas uma potência produtora para nos consolidarmos também como um centro de inteligência, diálogo e construção de soluções para o café global.
O café vive uma transformação profunda. Questões ligadas à sustentabilidade, rastreabilidade, tecnologia, inteligência artificial, logística e segurança alimentar já influenciam as decisões de produtores, exportadores, indústrias e consumidores em todo o mundo. Discutir esses temas deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade para quem deseja permanecer competitivo.
O mundo do café estará olhando para Vitória em agosto. E isso não acontece por acaso. É resultado de décadas de trabalho, inovação e capacidade de adaptação de milhares de produtores, empresas, cooperativas, pesquisadores e instituições que ajudaram a construir a força da cafeicultura capixaba.
Afinal, somos um estado pequeno no mapa, mas cada vez maior na capacidade de influenciar os rumos de uma das cadeias produtivas mais importantes do planeta. E o café é, talvez, a maior prova de que tamanho nunca foi o que definiu a grandeza do Espírito Santo..
Sobre o autor

Marcus Magalhães é empresário, presidente do Sindicato dos Corretores de café do ES, Diretor de Relações Institucionais da Fecomercio e curador técnico do Vitória Coffee Summit 2026.





