O que funciona precisa continuar. Em segurança pública, essa não é apenas uma escolha de gestão, é uma obrigação com a vida das pessoas. Interromper políticas eficazes não significa recomeçar do zero, significa perder tempo, desperdiçar resultados e abrir espaço para o retrocesso. Por isso, mais do que criar novas iniciativas, o desafio central é avaliar continuamente, corrigir rumos e consolidar programas bem-sucedidos como políticas de Estado.
Nesse contexto, a institucionalização do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, por meio de lei aprovada neste ano, representa um passo importante. Mais do que uma iniciativa de governo, o programa passa a se afirmar como uma estratégia permanente do Estado do Espírito Santo, baseada em evidências, integração institucional e foco em resultados.
Durante o evento “Brasil Sob Ameaça – Encontro Nacional de Segurança e Combate ao Crime Organizado”, realizado aqui no estado no final de abril, que reuniu sistema de justiça, forças de segurança, gestores públicos, representantes de diversas instituições para discutir estratégias de enfrentamento à criminalidade no Brasil, o especialista Rodrigo Pimentel, ex-capitão do BOPE e roteirista dos filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, reconheceu e elogiou nas redes sociais o modelo por nós adotado no Espírito Santo, com destaque para investimentos e ações convergentes em segurança e educação.
Os últimos dados oficiais reforçam essa trajetória. O Espírito Santo registrou, no acumulado de janeiro a abril, redução nos crimes letais intencionais, com destaque para a queda de 2,4% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando 249 ocorrências. Casos de feminicídio também apresentaram redução expressiva, passando de 13 para 8 registros, uma redução de 38,5%. Os latrocínios caíram 75% no período.
Além disso, abril de 2026 foi o melhor mês da série histórica desde 1996 no indicador de homicídios dolosos e feminicídios, evidenciando a consistência da política ao longo do tempo. Trata-se de um resultado que não pode ser compreendido de forma isolada, mas como fruto de uma estratégia estruturada, com atuação integrada das forças de segurança e uso intensivo de inteligência e tecnologia.
Os resultados também se refletem em outras frentes. Houve redução de 13,1% nas ocorrências de confronto policial no acumulado do ano. Também se observa queda nos principais crimes contra o patrimônio, como roubos em via pública, com redução de 33,2%, e roubo de veículos, com queda de 29,6%. Ao mesmo tempo, políticas de proteção às vítimas foram fortalecidas, como demonstram as mais de 7.500 visitas tranquilizadoras realizadas no âmbito da Lei Maria da Penha, um aumento de 23,4% em relação ao ano anterior.
Outro aspecto relevante é o investimento em tecnologia e inovação. Ferramentas como reconhecimento facial, totens de segurança (que serão instalados também nos municípios de Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares, São Mateus) e sistemas de cerco inteligente vêm ampliando a capacidade de resposta do Estado, contribuindo para a prisão de criminosos e a retirada de armas de circulação. Apenas no primeiro quadrimestre de 2026, foram apreendidas 1.265 armas de fogo, reforçando o enfrentamento qualificado à violência.
Os dados evidenciam que o Estado Presente não é apenas um programa, mas um modelo de gestão baseado em diagnóstico, metas claras e acompanhamento sistemático. A redução consistente dos indicadores de violência, aliada ao fortalecimento de políticas preventivas e ao uso de tecnologia, demonstra que é possível avançar com responsabilidade e resultados.
Mais do que celebrar números, o desafio agora é garantir a continuidade dessa trajetória. Transformar experiências bem-sucedidas em políticas de Estado é o que permite que avanços não sejam episódicos, mas duradouros. No caso do Espírito Santo, os resultados de abril de 2026 indicam que esse caminho está sendo trilhado com consistência e que os efeitos positivos já são percebidos na vida da população.
Sobre o autor

Ricardo Ferraço é Governador do Espírito Santo.





