Enquanto muitas mães se preparam para celebrar o Dia das Mães em casa, a capixaba Jocasta Firmo Sartori, de 31 anos, vive a data dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin). Entre aparelhos, incubadoras e a esperança renovada a cada dia, ela acompanha de perto a luta da filha, Maria Clara, que nasceu extremamente prematura.
A pequena veio ao mundo na madrugada do dia 21 de fevereiro, com apenas 24 semanas e cinco dias de gestação, no Hospital Vitória Apart, na Serra. Desde então, segue internada na UTI neonatal. Há mais de dois meses, Jocasta e o marido transformaram a rotina em uma verdadeira maratona de amor, cuidado e resistência.
“Vivo de domingo a domingo no hospital, passo o dia com a Maria Clara. Meu marido vem à noite, depois do trabalho. A gente fica praticamente o tempo todo lá e só sai no último horário de visita, por volta das 21 horas. É cansativo física e emocionalmente. Mas, mesmo sendo difícil, o que me dá força é vê-la bem”, conta a mãe.
Bebê nasceu com apenas 24 semanas
A expectativa da família era que Maria Clara nascesse apenas em junho. No entanto, a gestação, que seguia tranquila até a metade, mudou drasticamente após um exame morfológico no segundo trimestre.
“Até por volta das 21 semanas estava tudo bem. Eu tinha sintomas comuns da gravidez, como enjoos e dores de cabeça, e sentia apenas uma dorzinha na parte de baixo do abdômen, que não parecia preocupante. Tudo mudou quando descobrimos uma infecção chamada sludge e que meu colo do útero estava extremamente curto, medindo apenas um centímetro. Fui internada imediatamente e fiquei 24 dias em repouso absoluto”, relembra Jocasta.
Segundo a obstetra Juliana Couto, o sludge é identificado em exames de ultrassom e indica a presença de partículas no líquido amniótico, podendo estar associado a infecções ou inflamações.
“Essas partículas ficam próximas ao colo do útero, o que pode provocar o encurtamento do colo e aumentar o risco de parto prematuro. Por isso, é fundamental o acompanhamento de perto para proteger a saúde da mãe e do bebê”, explica a médica.
Maria Clara nasceu em um parto normal rápido e intenso, ainda dentro do quarto do hospital. Desde então, enfrenta os desafios típicos de bebês prematuros extremos, aqueles que nascem antes das 28 semanas de gestação.
“Ela nasceu com extremo baixo peso. Bebês prematuros extremos enfrentam riscos importantes devido à imaturidade dos órgãos e geralmente precisam de longos períodos na UTI neonatal. Entre os principais desafios estão problemas respiratórios, infecções e possíveis sequelas no desenvolvimento. O acompanhamento contínuo e a presença da família fazem toda a diferença nesse processo”, destaca a pediatra Juliana Neves.
Apesar das dificuldades, a evolução da bebê traz esperança à família.

“Hoje entendemos que o mais difícil já passou. Ela continua na incubadora, mas agora o foco é o ganho de peso. O próximo passo será iniciar a amamentação”, celebra Jocasta.
O sonho da maternidade após duas perdas
Viver a maternidade nesse contexto torna tudo ainda mais intenso para Jocasta. Antes da chegada de Maria Clara, ela enfrentou duas perdas gestacionais.
“A primeira foi uma menina, que chamamos de Ana Clara, mas ela morreu com 18 semanas por causa de uma malformação. Depois tive um aborto espontâneo com cerca de seis semanas. Fizemos exames genéticos e patológicos, mas nenhuma causa específica foi encontrada”, relata.
Agora, enquanto aguarda o dia em que poderá finalmente levar a filha para casa, Jocasta mantém viva a esperança construída após anos de dor e espera.
“A chegada da Maria Clara veio depois de tudo isso. Ainda não sabemos quando ela terá alta, mas o que eu mais desejo é estar ao lado da minha filha, cuidar dela e viver tudo aquilo que a gente sonhou.”


