Uma ferramenta criada no Espírito Santo está ajudando a transformar a rotina de médicos e pacientes dentro dos consultórios. Desenvolvida com inteligência artificial, a plataforma Naia promete reduzir a burocracia durante as consultas e permitir que os profissionais tenham mais tempo para olhar, conversar e examinar os pacientes com mais atenção.
A tecnologia funciona como uma assistente digital para médicos. Enquanto o profissional conversa com o paciente, a plataforma ajuda a organizar informações, montar documentos, reunir referências científicas e até automatizar parte dos registros da consulta.
Na prática, isso significa menos tempo digitando na frente do computador e mais tempo dedicado ao atendimento humano. “O médico deixa de ficar preso à tela o tempo inteiro e consegue voltar a olhar no olho do paciente. A tecnologia entra justamente para diminuir a parte burocrática da consulta”, explicou um dos criadores da plataforma.
Com a Naia, a expectativa é de que o atendimento burocrático seja reduzido em até 70%. “O objetivo da Naia não é que o médico atenda mais pacientes por hora, não é para tentar transformar a medicina em algo mecanizado. A gente está no oposto disso. A proposta é que o médico reduza o tempo perdido com tarefa operacional, burocrática e com a fragmentação da informação que ele tem que buscar no prontuário do paciente, e possa se dedicar a dar mais atenção ao raciocínio clínico, ao exame físico, a focar no paciente”, disse o criador da ferramenta Thiago Daibes Padilha.
A ideia nasceu da experiência prática de médicos que perceberam como a rotina hospitalar estava cada vez mais sobrecarregada de informações, relatórios e processos administrativos. “O principal benefício para o paciente não é tão percebido pelo próprio paciente, ele é indireto, mas ele é extremamente relevante, ele passa a ser atendido por um profissional com acesso mais rápido, organizado e qualificado a melhor informação”, declarou.
Expansão
Criada no Espírito Santo, a plataforma já ultrapassou os limites do estado e hoje é utilizada em diferentes regiões do Brasil e até fora do país. Atualmente, mais de 2 mil profissionais usam o sistema, que conta com dezenas de módulos especializados para diferentes áreas da medicina.
Além de agilizar processos, a proposta também é melhorar a qualidade do atendimento. Com menos tempo gasto em tarefas operacionais, os médicos conseguem dedicar mais atenção ao exame físico, à escuta e à relação com o paciente. “E esse tempo útil pode ser convertido em escuta, em análise clínica, em tomada de decisão mais qualificada e não ter aquela agenda tão apertada que hoje praticamente obriga o médico a ter para poder sobreviver”.
Outro diferencial é que todas as informações utilizadas pela inteligência artificial são baseadas em artigos científicos e diretrizes médicas atualizadas, oferecendo mais segurança aos profissionais de saúde. A plataforma também segue regras de proteção de dados exigidas pela legislação brasileira, com armazenamento das informações em servidores nacionais.
“Nossa IA tem um treinamento realizado por especialistas que alimentam a IA com diretrizes e artigos científicos certificando que ela só vai utilizar informações referenciadas. Além disso, a gente tem a resolução do CFM, que recentemente determinou quais são as regras para a utilização da inteligência artificial na prática médica, e basicamente ele desautoriza o médico a utilizar essas plataformas genéricas como o chat GPT, entre outros, pois os dados são trafegados, são processados fora do território nacional, e só por isso eles já descumprem a LGPD”, explicou.


