Entenda como agia quadrilha que furtou apartamento de luxo no ES

Grupo usava dados obtidos na Deep Web para escolher vítimas e invadir imóveis de alto padrão; prejuízo passou de R$ 700 mil em apartamento em Vila Velha

Escrito por Redação

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Foto: Divulgação/PCES

A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu as investigações sobre um furto qualificado ocorrido em 9 de março de 2024, em um apartamento na Praia da Costa, em Vila Velha, que causou prejuízo estimado em R$ 700 mil. Segundo a corporação, a quadrilha investigada era especializada em furtos a imóveis de alto padrão em diversos estados do país.

Segundo as investigações, os criminosos focavam em vítimas de alta renda e utilizavam informações pessoais obtidas por meio de sites hospedados até fora do Brasil, inclusive na Dark Web e Deep Web.

“Eles têm acesso a sites que são hospedados até fora do Brasil, na Dark Web, na Deep Web, e com esses sites eles conseguem informações como nome completo, endereço, telefone celular, endereço do condomínio, telefone até da portaria do condomínio, em alguns casos, imposto de renda da pessoa, veículos e até assinaturas digitais. Eles conseguem ter esse acesso. Com esse acesso, eles não vão no escuro, eles estudam muito bem e vão migrando de estado para estado, o que dificulta a ação policial”, explicou o delegado Gabriel Monteiro.

De acordo com a polícia, o grupo era especializado em furtos de joias, dinheiro e objetos de alto valor. Em muitos casos, os criminosos escolhiam vítimas que moravam fora do estado ou passavam longos períodos longe das residências.

Entrada no prédio após falha na segurança

Conforme a investigação, duas mulheres identificadas como Maria Luyza Silva de Oliveira e Carolina Arraes de Lima entraram no edifício na Praia da Costa enquanto um comparsa aguardava em um veículo estacionado em ruas próximas ao condomínio.

Maria Luyza Silva de Oliveira e Carolina Arraes de Lima | Foto: PCES

Na ocasião, a zeladora estava responsável pela portaria porque o porteiro havia saído para resolver uma pendência em uma loja. A situação, segundo a polícia, evidenciou uma falha nos protocolos de segurança do prédio.

“A zeladora indagou as duas meninas aonde que elas estariam indo, e elas falaram que estavam indo no apartamento, que uma delas era neta da senhora. A zeladora disse que iria interfonar, perguntou e uma dessas meninas já tratou ela com nervosismo, xingando, e ela ficou com medo de perder o emprego e acabou liberando a entrada”, relatou o delegado.

Ainda segundo a Polícia Civil, o grupo utiliza estratégias para confirmar se os imóveis estão vazios antes de agir.

“Eles têm o telefone da residência, batem na porta, e como já é um alvo deles, quando ninguém atende, eles arrombam a porta. Saíram com essas malas, prejuízo de mais de R$ 700 mil. O carro já estava esperando, um Fiesta preto”, afirmou Gabriel Monteiro.

O delegado também explicou que os criminosos permaneciam apenas uma noite no estado, se hospedavam em pousadas pagas em dinheiro e utilizavam carros alugados para dificultar rastreamentos policiais.

iPod furtado na localização

Após o crime na Praia da Costa, a Polícia Civil iniciou as investigações e conseguiu avançar a partir de um iPod levado pelos criminosos. Além da identificação do veículo utilizado por meio do Cerco Inteligente, os policiais conseguiram localizar a pousada onde o grupo passou a noite, no município da Serra.

“Chegamos lá, o atendente falou que o Joel entregou um documento. Os demais falaram que não tinham documento, então ele colocou o documento dele lá. Então nós já de fato, de cara, conseguimos identificar esse Joel, pai da Maria Luyza”, contou o delegado.

Segundo a polícia, a pousada também exigiu um número de telefone para o cadastro dos hóspedes. “Quem deu esse número telefônico foi a Rayssa”, explicou o delegado.

Com apoio da Polícia Civil de São Paulo, os investigadores conseguiram identificar Rayssa Carneiro Arruda e a Maria Luyza Silva.

“O dono da pousada reconheceu a Maria Luyza. A polícia solicitou para o Poder Judiciário a busca e apreensão dos três. Com investigações no celular da Rayssa, o Deic de São Paulo conseguiu extrair fotos que inclusive colocavam as duas na cena do crime aqui em Vila Velha. Fora diversos outros crimes que eles cometeram, no Paraná, na Bahia. Com isso nós conseguimos identificar e qualificar a Carolina, que esteve em Vila Velha”, disse.

A polícia informou Rayssa não participou diretamente do furto na Praia da Costa, mas teria dado suporte ao grupo realizando o pagamento da pousada via Pix.

Maria Luyza, Carolina, Rayssa e Joel | Foto: PCES

Entre os presos estão Joel da Silva Santana, natural de Natal (RN), apontado pela polícia como mentor logístico da quadrilha e pai de Maria Luyza Silva de Oliveira; Rayssa Carneiro Arruda, que, segundo as investigações, pertence a uma família envolvida em furtos de luxo; Maria Luyza Silva de Oliveira; e Carolina Arraes de Lima.

Os quatro suspeitos tiveram prisão preventiva decretada. Um quinto integrante da quadrilha ainda não foi identificado.

Polícia orienta reforço na segurança de condomínios

A Polícia Civil reforçou o alerta para que condomínios adotem protocolos rígidos de segurança, como identificação de visitantes, conferência de documentos e contato direto com moradores antes de liberar acessos.

Segundo os investigadores, a quadrilha atuava de forma altamente organizada e estudava detalhadamente a rotina das vítimas antes de executar os furtos.

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