O Governo do Estado respondeu com números às alegações feitas pelo presidente da Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (Aspra). Em entrevista à coluna, após anunciar pré-candidatura a deputado estadual, filiação ao Republicanos e apoio a Lorenzo Pazolini para governador, o Sargento Jackson Eugênio afirmou, entre outros pontos, que os policiais e bombeiros militares não foram devidamente valorizados nos dois últimos governos de Renato Casagrande e que faltou diálogo com a categoria.
Mais de uma vez na entrevista, ele reconheceu avanços, mas os considerou insuficientes e aquém do compromisso assumido por Casagrande com as associações de militares quando se elegeu para voltar ao Palácio Anchieta, em 2018. “Nós não temos perspectiva de carreira. Hoje, a carreira dos praças da Polícia e do Bombeiro Militar é a pior carreira da segurança pública”, criticou o presidente da Aspra.
Segundo o Sargento Eugênio, o salário de ingresso na carreira de um policial militar no Espírito Santo ainda está abaixo da média nacional (registro do colunista: o discurso há poucos anos era o de que o salário pago no Estado era o pior do país para um soldado). “A gente avançou bastante, temos que destacar que houve avanço, mas nós não chegamos na média nacional, então não houve o cumprimento desse compromisso.”
Já de acordo com o Governo do Estado, foi concedido reajuste linear aos militares e a todas as categorias do funcionalismo estadual em seis dois oito anos dos dois últimos governos de Casagrande, entre 2019 e 2026. O reajuste só não foi concedido nos anos de 2020 e 2021, em razão de uma vedação legal vigente no período da pandemia.
Adicionalmente, para compensar a histórica defasagem salarial dos militares em início de carreira na PMES e no BMES, o governo concedeu aumentos diferenciados especificamente voltados para os praças dessas duas forças estaduais de segurança. À parte os reajustes lineares já citados acima, os soldados foram beneficiados com:
4% dez/20
4% dez/21
4% dez/22
4% dez/23
4% dez/24
4% dez/25
4% dez/26 (a ser acrescido)
“Além disso, incorporamos duas escalas operacionais para os praças, o que representa um acréscimo de 11%. E mais 6% para os soldados em 2020”, informa o Governo do Estado, por meio de sua assessoria.
O governo também apresenta tabelas comparativas, que ilustram a evolução salarial de várias patentes de militares ao longo dos últimos anos.
Entre 2018 e 2025, o salário-base de um soldado da PMES cresceu 107%, isto é, mais que dobrou, passando de R$ 2,7 mil para R$ 5,7 mil no período. Ainda haverá aumento específico de 4%, especificamente para os soldados, em dezembro deste ano.
Já o acréscimo total para os cabos e terceiros sargentos (patente do presidente da Aspra), no mesmo intervalo, foi de 83%.
Para os coronéis – patente máxima na carreira da PMES e do BMES –, o crescimento do salário-base, de 2018 a 2025, foi de 83%. O salário passou de R$ 19,1 mil para R$ 33,2 mil.
