A rotina não para e, muitas vezes, não dá trégua. Para mães de crianças com autismo e outras neurodivergências, o cuidado exige presença constante, organização e atenção contínua. No Dia das Mães, celebrado no domingo (10), o olhar também se volta para quem sustenta essa rotina.
Chamadas de mães atípicas, elas acompanham filhos com condições como autismo, TDAH, dislexia, discalculia, dispraxia e síndrome de Tourette. Nesse cenário, o apoio de familiares, amigos e da sociedade faz diferença direta no dia a dia. O psicólogo Filipe Colombini, especialista em parentalidade e neurodivergências, afirma que esse suporte é essencial. “A sobrecarga não vem apenas da rotina, mas da sensação de estar sempre em alerta e, muitas vezes, de carregar essa jornada sozinha. Quando essa mulher se sente acolhida, ela ganha fôlego emocional para sustentar os desafios do dia a dia”, explica.
Ele reforça que a presença de uma rede de apoio muda a forma como essa maternidade é vivida. “Não se trata de eliminar as dificuldades, mas de garantir que essa mãe tenha apoio para dividir seus desafios ao longo do caminho. Esse amparo contínuo transforma completamente essa experiência”, afirma. Para o especialista, fortalecer esse suporte também impacta o entorno. “Ou seja, fortalecer a rede de apoio é um passo essencial para promover mais qualidade de vida às mães atípicas e suas famílias, além de contribuir para a construção de uma sociedade mais empática, inclusiva e consciente”, completa.
1. Presença que se mantém
Apoiar não é aparecer quando sobra tempo. É estar por perto de forma contínua, acompanhando a rotina e se mostrando disponível. Colombini destaca que “rede de apoio não é só estar disponível quando sobra tempo, mas se comprometer com a presença. Isso faz com que essa mãe se sinta acolhida e amparada de verdade”.
2. Ajuda prática no dia a dia
A rotina envolve consultas, terapias e cuidados constantes. Pequenas ações aliviam esse peso, como preparar uma refeição, ajudar nas tarefas domésticas ou cuidar da criança por algumas horas. “Esse tipo de suporte permite que a mãe tenha momentos de respiro e consiga reorganizar sua energia física e emocional”, afirma o psicólogo.
3. Respeito aos limites
Cada família lida com os desafios de forma própria. Comparações e julgamentos aumentam a pressão. “É importante entender que não existe um padrão único de maternidade. Respeitar os limites e as escolhas dessa mãe é uma forma de cuidado e empatia”, explica.
4. Informação que aproxima
Buscar conhecimento sobre a neurodivergência ajuda a evitar interpretações equivocadas e reduz o peso que recai sobre a mãe. “Quando o entorno entende melhor a realidade da criança, a mãe deixa de carregar sozinha o peso de explicar e justificar situações do dia a dia”, ressalta.
5. Inclusão na prática
Adaptar ambientes e flexibilizar rotinas faz diferença concreta. A inclusão precisa acontecer no cotidiano. Segundo Colombini, “quando a sociedade se adapta, a mãe deixa de viver em constante estado de alerta. Isso reduz o estresse e favorece o desenvolvimento da criança”.
6. Escuta sem julgamento
Muitas mães enfrentam exaustão, culpa e solidão. Ter espaço para falar e ser ouvida com atenção é fundamental. “Ouvir com atenção, validar emoções e evitar minimizar as dificuldades são formas simples, mas extremamente potentes de apoio emocional”, afirma.
7. Tempo para si
O cuidado com os filhos ocupa quase todo o tempo, e o autocuidado fica de lado. Criar condições para descanso e lazer é essencial. “Cuidar de si não é um luxo, é uma necessidade. Quando essa mãe consegue se reconectar consigo mesma, ela também se fortalece para cuidar do outro”, diz o especialista.
A rede de apoio não resolve tudo, mas muda o caminho.


