Os remédios que tratam também estão entre os que mais intoxicam no Espírito Santo. Dados do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-ES) colocam os medicamentos no topo dos registros de intoxicação no estado, com aumento recente nos atendimentos.
Em 2024, foram 7.152 casos. No ano seguinte, o número subiu para 8.003. Só nos três primeiros meses de 2026, já são 2.217 ocorrências. O cenário reforça o alerta feito nesta terça-feira (5), Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, sobre riscos ligados à automedicação, ao uso incorreto e à falta de acompanhamento profissional.
Quem mais sofre os efeitos
Entre crianças, a principal causa é a ingestão acidental. Já entre idosos, o problema está, em geral, no uso simultâneo de vários medicamentos e na ausência de acompanhamento contínuo.
A médica toxicologista do Ciatox-ES, Rinara Angélica de Andrade Machado, afirma que boa parte desses casos poderia ser evitada. “Observamos diariamente casos relacionados a doses incorretas, troca de medicamentos ou uso sem prescrição. Crianças e idosos são os mais vulneráveis. No caso das crianças, muitas intoxicações acontecem por ingestão acidental. Já entre idosos, o uso simultâneo de vários medicamentos pode aumentar o risco de interações e efeitos adversos”, explicou.
Uso seguro ainda é desafio
A Secretaria da Saúde (Sesa) reforça que o uso racional de medicamentos depende de orientação e responsabilidade compartilhada. O secretário de Estado da Saúde, Kim Barbosa, destaca que a data serve como um alerta direto à população. “A data nos convida à reflexão sobre práticas seguras no uso de medicamentos. É fundamental que a população evite a automedicação, siga corretamente as orientações médicas e farmacêuticas e compreenda que todo medicamento, mesmo os mais comuns, pode apresentar riscos quando utilizado de forma inadequada”, afirmou.
Medidas simples fazem diferença, como respeitar doses, não reutilizar receitas antigas e informar ao médico todos os medicamentos em uso. Manter os remédios fora do alcance de crianças também é essencial.
Rede pública e acesso orientado
No estado, a Farmácia Cidadã Estadual oferece 288 medicamentos de forma gratuita, incluindo tratamentos para doenças raras e de alto custo. O atendimento é feito com orientação farmacêutica, o que reduz riscos e melhora a adesão ao tratamento.
A gerente da Assistência Farmacêutica da Sesa, Grazielle Massariol, destaca que o acompanhamento é parte central do cuidado. “A rede estadual conta com as Farmácias Cidadãs, que realizam a dispensação de medicamentos de forma orientada, garantindo que o paciente compreenda como utilizar corretamente cada medicamento ou insumo. O acompanhamento do uso do medicamento com profissional farmacêutico é fundamental para evitar erros e promover melhores resultados no tratamento”, afirmou.
Em 2025, a rede atendeu 144.097 pacientes. Em 2026, até 28 de abril, já são 114.460 atendimentos. No mesmo período, o investimento estadual ultrapassa R$ 61 milhões na aquisição de medicamentos, fórmulas nutricionais e insumos.
O que fazer em caso de intoxicação
A orientação é buscar atendimento imediato em um serviço de saúde. Também é possível entrar em contato com o Ciatox-ES pelo telefone 0800 283 9904, que oferece orientação especializada.
O alerta é direto: medicamento não é inofensivo. O uso correto pode tratar, mas o uso errado segue lotando os registros de intoxicação no estado.


