No dia 4 de agosto de 2025, por 16 votos a 2 (votos contrários de Professor Jocelino e Ana Paula Rocha), a Câmara de Vitória aprovou projeto de resolução da Mesa Diretora que estabeleceu a concessão de auxílio-alimentação no valor mensal de R$ 1.250,00 para os próprios vereadores, “independentemente da jornada de trabalho”. O auxílio já era pago aos servidores e foi estendido aos vereadores. Todos, servidores e vereadores, passaram a receber R$ 1.250,00 mil por mês.
O pagamento ficou condicionado à solicitação de cada parlamentar. Logo após a promulgação, 17 dos 21 vereadores solicitaram o benefício à direção da Casa.
Aí veio a surpresa: no último 1º de abril (e não, não é mentira), a Câmara aprovou nova resolução da Mesa, elevando de R$ 1.250,00 para R$ 1.500,00 o valor do tíquete pago mensalmente aos vereadores e também aos servidores.
A operação para elevar o valor em tempo recorde foi marcada pela opacidade, por nenhuma publicidade e por incrível aceleração do rito.
O projeto que originou a resolução, aprovada e promulgada no mesmo dia, foi apresentado pela Mesa Diretora da Câmara, presidida por Anderson Goggi (Republicanos), às 10h18 da manhã, com a sessão plenária já em andamento.
O aumento, sem mais nem menos, é de 20%.
Nos oito meses decorridos entre 1º de agosto de 2025 e 31 de março de 2026, a inflação acumulada no país, medida pelo IPCA, foi de 3,18%.
Pelos cálculos da Câmara, anexados ao projeto, considerando um total de 480 beneficiados, o gasto adicional só este ano será de R$ 1,2 milhão. Com recursos públicos, é claro.
O projeto não foi acompanhado de justificativa. O texto limitou-se a dizer que “a presente proposição visa reajustar o vale-alimentação no ano de 2026”.
A aceleração dos trâmites
A proposição foi votada em regime de “urgência urgentíssima” (dispositivo existente no Regimento Interno da Câmara de Vitória, o qual permite que um projeto seja votado na mesma sessão em que é lido). A “urgência urgentíssima” foi aprovada em plenário pelos 17 vereadores que votaram, às 11h34,
O projeto foi aprovado a jato, no plenário mesmo, também unanimemente, pelos membros da Comissão de Finanças e da Comissão de Constituição e Justiça. Não houve debate alguns nesses dois colegiados.
Um minuto depois, no mérito, a matéria foi aprovada à unanimidade dos votos dos 16 vereadores que participaram da votação em plenário, realizada às 11h35.
Entre a leitura do requerimento de “urgência urgentíssima” pelo presidente Anderson Goggi e a proclamação do resultado da votação final, não se passaram 4 minutos. Não houve nem menção ao que efetivamente se estava votando, que dirá discussão da matéria…
O projeto foi aprovado pouco mais de uma hora após a entrada no sistema de protocolo da Câmara.
O rito foi o mais sumário possível.
COMO VOTARAM OS VEREADORES
A favor (16)
- Aloísio Varejão (PSB)
- André Brandino (Podemos)
- Armandinho Fontoura (PL)
- Aylton Dadalto (Rep)
- Baiano do Salão (Podemos)
- Brunmo Malias (PSB)
- Camillo Neves (PP)
- Darcio Bracarense (PL)
- João Flavio (MDB)
- Karla Coser (PT)
- Leonardo Monjardim (Novo)
- Luiz Emanuel (Rep)
- Luiz Paulo Amorim (PV)
- Mara Maroca (PP)
- Maurício Leite (PRD)
- Pedro Trés (PSB)
Presentes à sessão, mas não votaram
- Ana Paula Rocha (PSol)
- Dalto Neves (SD)
- Davi Esmael (Rep)
Não votou por ser o presidente
- Anderson Goggi (PP)
Ausente
- Professor Jocelino (PT)
A NOTA OFICIAL DA CÂMARA DE VITÓRIA
A Câmara Municipal de Vitória esclarece que o reajuste do auxílio-alimentação foi aprovado com base em avaliação interna sobre a atualização dos custos com alimentação e a valorização dos servidores do Legislativo.
A medida foi acompanhada de estimativa de impacto orçamentário e financeiro, conforme prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal, e possui adequação à legislação orçamentária vigente.