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Quem são os cotados para vice na chapa de Pazolini a governador

Quem será o companheiro ou companheira de chapa de Pazolini na campanha eleitoral pelo Palácio Anchieta? Analisamos aqui as duas principais alternativas, a preços de hoje, e o que cada um aportaria à campanha do ex-prefeito de Vitória

Escrito por Vitor Vogas

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Livia Vasconcelos, Guerino Zanon, Lorenzo Pazolini e Evair de Melo
Livia Vasconcelos, Guerino Zanon, Lorenzo Pazolini e Evair de Melo

Quem será o companheiro ou companheira de chapa de Lorenzo Pazolini (Republicanos), seu candidato ou candidata a vice-governador(a), na campanha eleitoral do segundo semestre?

É fato que o ex-prefeito de Vitória será candidato a governador, liderando uma chapa em oposição à do atual ocupante do cargo, Ricardo Ferraço (MDB). Mas o posto de nº 2 da chapa só deve mesmo ser definido e preenchido entre as convenções partidárias (de 20 de julho a 5 de agosto) e o pedido de registro das candidaturas (até 15 de agosto).

De todo modo, neste momento, três nomes despontam na bolsa de apostas políticas como os principais cotados para ladearem Pazolini na disputa: a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos (PSD), o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD) e o deputado federal Evair de Melo (Republicanos). Vamos nos deter sobre cada um deles.

Lívia Vasconcelos (PSD)

Doutora antes dos 30 anos, Lívia Vasconcelos é a esposa do prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, presidente estadual do Partido Social Democrático (PSD). Renzo já anunciou que o PSD apoiará Pazolini e estará na coligação do Republicanos.

Lívia é uma cirurgiã-geral reconhecida e muito respeitada na cidade de Colatina e imediações. Acadêmica e especialista em sua área, opera no filantrópico Hospital São José, pertencente à família de seu marido (a sua, portanto).

Agora, a doutora se prepara para participar de outro tipo de operação: a de fortalecimento da chapa do PSD nas próximas eleições para a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). Lívia, a princípio, é confirmada por Renzo como pré-candidata a deputada estadual. Ela própria, conforme apuramos, gosta muito da ideia de entrar na vida pública. Tem ambição política.

Fontes também destacam que a primeira-dama tem carisma e é talentosa com as palavras: sabe falar muito bem – virtude essencial para o sucesso de qualquer mandato parlamentar, de vereador a senador.

A primeira-dama não tem cargo no Hospital São José nem na Prefeitura de Colatina. Mas, segundo relatos, influi diretamente na direção do hospital e, desde janeiro de 2025, na administração do marido. Há quem diga que o verdadeiro “talento político” da família Vasconcelos ainda está guardado: Lívia nunca disputou uma eleição. Mas isso mudará em poucos meses.

Se a esposa de Renzo for deslocada para a chapa majoritária, o que ela aportaria para a campanha de Pazolini?

Bem, em primeiro lugar, há o óbvio fator “leveza” e “equilíbrio de gênero”, pelo fato de ela ser uma jovem mulher. Seria uma forma de atrair e conquistar mais votos do eleitorado feminino.

Vale lembrar que, em suas duas campanhas a prefeito de Vitória, em 2020 e 2024, Pazolini teve mulheres como vice – respectivamente, Capitã Estéfane e Cris Samorini, com consequências bem diferentes.

Estéfane rompeu com o então prefeito e hoje, filiada ao Podemos, está na base de Ricardo Ferraço e é pré-candidata a deputada federal pelo partido da coligação governista. É até citada entre os cotados para ser candidata a vice-governadora, mas do atual governador. Já Cris Samorini (PP) assumiu a Prefeitura de Vitória no lugar de Pazolini, mantém-se como aliada do seu antecessor no cargo e o apoia para governador.

Em segundo lugar, por ser a primeira-dama de Colatina, quarta cidade mais populosa do Estado fora da Grande Vitória, Lívia pode facilitar a “entrada” de Pazolini junto ao eleitorado do interior – embora na certa não tanto quanto os outros dois cotados.

Guerino Zanon (PSD)

Ausente da política capixaba desde que perdeu a eleição para governador em 2022, o ex-prefeito de Linhares voltou a ter o nome destacado em discussões políticas e pode retornar à cena eleitoral do Espírito Santo em posição estratégica. Ele já declarou apoio a Pazolini para governador e seu partido, o PSD, está na mesma aliança.

Prefeito por cinco mandatos da maior cidade capixaba acima do Rio Doce, entre 1997 e 2022, Guerino passou a ser muito seriamente cotado, por aliados de Pazolini, como possível candidato a vice-governador na chapa a ser encabeçada por ele. Seria a chapa Zanolini, ou Pazanon.

Na origem de tais articulações, estão o ex-governador Paulo Hartung (PSD), o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e o deputado Evair de Melo (agora também no Republicanos).

Hartung tem despontado como um grande incentivador da pré-candidatura de Pazolini ao Palácio Anchieta. Em entrevista a este espaço em fevereiro, declarou-lhe seu apoio pessoal para governador. Erick é o principal articulador do referido projeto eleitoral; Evair, assim como Erick, tem acompanhado o prefeito de Vitória em múltiplas visitas por cidades do interior do Estado.

Até pouco tempo atrás, Guerino não tinha contato nem vínculo com Pazolini. Mas cultiva excelente relação com esses três elos da corrente. De Hartung, é um aliado histórico. Com Evair, se dá muito bem desde os tempos em que o atual deputado federal dirigia o Incaper. Quanto a Erick, para se ter uma ideia, Guerino chegou a gravar vídeo de apoio para ele quando o então deputado estadual foi candidato a prefeito de Aracruz (mas não ganhou).

Como reza um velho ditado no meio político, candidato a vice se escolhe até na porta do cartório eleitoral. Não raro, é a última decisão tomada no processo de construção da chapa, pois depende de uma série de fatores imponderáveis.

Tirando a parte do “cartório” (pois tudo hoje é feito remotamente), o dito segue atual e verdadeiro. Que o diga o próprio Guerino: em 2022, seu próprio candidato a vice-governador, o empresário do café Marcus Magalhães, foi escolhido e registrado, literalmente, na última hora do prazo, após tratativas frustradas para emplacar outros nomes.

Feita essa ressalva, é preciso observar que um nome como o de Guerino, em primeira análise, faz absoluto sentido para completar a chapa de Pazolini, se levarmos em conta a lógica que costuma presidir à escolha de candidatos a vice: a da complementaridade.

Manda o manual da estratégia política que o vice tenha um perfil, ao mesmo tempo, coerente com o do titular, do ponto de vista político-ideológico, mas diferente com relação a outros atributos (características pessoais, gênero, idade, origem, reduto eleitoral etc.), a fim de suprir pontos fracos do titular e aportar para ele alguns votos que, inicialmente, não teria.

Esse é justamente o papel que Guerino pode cumprir para Pazolini. Quanto à coerência ideológica, o ex-prefeito de Linhares, recorrendo a uma simplificação, pode ser considerado um “conservador”, tanto quanto o atual prefeito de Vitória.

Além disso, o ex-prefeito de Linhares é abertamente simpatizante do ex-presidente Bolsonaro e um entusiasmado adepto do bolsonarismo – o que pode ser interessante para Pazolini, se ele decidir aprofundar a estratégia de abraçar o bolsonarismo e atrair votos desse eleitorado.

Mas os “pontos de contato” entre os dois ex-prefeitos acabam aí.

Obedecendo à lógica da complementaridade, Guerino pode ser, para Pazolini, um “encaixe” em vários aspectos. O primeiro deles, que grita, é a idade. Durante a campanha, o prefeito de Vitória terá 44 anos; Guerino terá 70, dando à chapa um equilíbrio etário.

O segundo, que grita ainda mais alto, tem a ver com a experiência na vida pública. Pazolini será candidato a governador com menos de oito anos de mandatos acumulados (sendo dois na Assembleia Legislativa e pouco mais de cinco na Prefeitura de Vitória).

A título de comparação, Paulo Hartung tinha 20 anos de vida pública quando se tornou governador do Espírito Santo, em 2002. Casagrande acumulava os mesmos 20 anos quando chegou ao Palácio Anchieta, em 2010.

Não que a experiência seja necessariamente um fator determinante na escolha do eleitor, mas é preciso lembrar que o provável adversário maior de Pazolini nas urnas será Ricardo Ferraço (MDB). Só de vida pública, o atual vice-governador tem praticamente a idade do prefeito de Vitória.

A quem eventualmente questionar Pazolini, na campanha, pela pouca experiência, ele poderá exibir seu vice: “Olha só, tenho cá comigo o Guerino, que governou por quase 20 anos a segunda maior cidade do interior do Espírito Santo e a que mais cresceu nesse período…”

Interior: ponto fraco de Pazolini

Mas, no “perfil complementar” de Guerino, o principal não é nem a idade nem a experiência. É o reduto.

É notório que o recall de Pazolini é muito maior na Região Metropolitana do que no interior, justamente onde Ricardo larga bem na frente – e onde estão, vale lembrar, metade dos votos em disputa no Espírito Santo. É um ponto fraco da campanha do prefeito de Vitória, e é preciso compensá-lo o quanto antes. Como?

Uma primeira medida evidente é circular mais pelo interior. Não por outro motivo, desde o início de 2025, Pazolini tem se engajado em uma maratona de visitas a cidades de norte a sul do Estado – sempre ladeado por Erick Musso e, quase sempre, também por Evair.

Após a renúncia de Pazolini, no último dia 1º, intensificou-se uma estratégia de “interiorização” do ex-prefeito, gozando licença-prêmio da Polícia Civil e agora com muito mais tempo livre.

Outra maneira é agregar o maior número de aliados fortes com reduto em cidades interioranas. Aqui o próprio Evair tem cumprido um papel estratégico, já que, notoriamente, tem muito boa inserção junto a produtores agropecuários, desde os tempos de Incaper. Tem feito para Pazolini essa ponte com o agro e aberto para ele os “caminhos do campo”.

Agora, pensemos juntos: que outro aliado estratégico pode ser melhor do que alguém que governou a segunda maior cidade do interior do Espírito Santo (com 183,7 mil habitantes), a maior das regiões Norte e Noroeste e aquela, sem sombra de dúvida, que experimentou o maior crescimento econômico e industrial ao longo das últimas três décadas? Guerino pode dar a Pazolini essa entrada que falta à sua pré-campanha no interior.

Juventude e cabelos brancos. Renovação e experiência. Capital e interior.

Tá quase tudo dominado

Se pensarmos no mapa político-eleitoral do Espírito Santo como um jogo de tabuleiro tipo War, a missão de Pazolini nasce complicadíssima fora da Grande Vitória, porque “tá tudo (ou quase tudo) dominado” pelas forças governistas, leais a Renato Casagrande (PSB) e comprometidas com a pré-candidatura de Ricardo Ferraço.

Para não descermos até as menores cidades, basta nos atermos àquelas com mais de 100 mil habitantes. No sul, Pazolini esbarrará em um território quase impenetrável para ele. A cidade polo, Cachoeiro, além de terra natal de Ricardo, é governada por ninguém menos que o pai do vice-governador, Theodorico Ferraço (PP).

Dá para erguer as armas e procurar alguma luta no norte. Acima do Rio Doce, temos Linhares, São Mateus e Colatina. Esta última ainda pode representar um respiro para Pazolini, já que é governada por um aliado, o prefeito Renzo Vasconcelos.

São Mateus é governada por um aliado do Palácio Anchieta, o prefeito Marcus da Cozivip, filiado ao Podemos. O partido é presidido no Espírito Santo pelo deputado federal Gilson Daniel. Este foi um dos primeiros a jurar fidelidade a Ricardo. O mesmo fizeram todos os prefeitos do Podemos, incluindo o de São Mateus.

E quanto a Linhares? Até na cidade de Guerino, a campanha de Pazolini nasce com dificuldades, pois o atual prefeito, Lucas Scaramussa, é outro aliado do Palácio Anchieta e de Ricardo. Também é filiado ao Podemos e está na mesma situação de Marcus da Cozivip.

Isso sem contar que os prefeitos de cidades com seus cerca de 50 mil habitantes, como Nova Venécia e Barra de São Francisco, também são aliados de Ricardo. O da segunda, Enivaldo dos Anjos (PSB), é muito influente na região e já se comprometeu a coordenar politicamente a campanha de Ricardo por aquelas bandas, cumprindo no norte o que Theodorico deverá cumprir no sul.

Com a influência que ainda tem, Guerino talvez possa compensar um pouco tamanho desequilíbrio regional, minimizando as perdas em Linhares e adjacências. Talvez sua influência já não seja tão grande como era há poucos anos… Mas na certa ainda é respeitável.

Evair de Melo

Por fim, Evair é constantemente lembrado e citado como potencial vice de Pazolini, por fatores muitos similares a alguns que pesam a favor de Guerino: a inserção no interior e junto ao eleitorado bolsonarista.

Porém, sempre que indagado sobre tal alternativa, Evair a repele. Não quer nem ouvir falar de ser vice. Foi o que vez ao responder ao último questionamento da coluna, para este texto: “Não estou disposto. Minha determinação é continuar em Brasília: Câmara ou Senado”.

Evair trocou o PP pelo Republicanos para ser, a princípio, candidato a mais um mandato na Câmara Federal, pela chapa do partido de Pazolini. Dependendo da evolução das alianças, poderá até se tornar um dos dois candidatos a senador da coligação.

Para o posto de vice, Evair é mesmo um dos maiores entusiastas da escalação de Guerino Zanon, com quem tem muito estreita relação.

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