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A peça que ainda falta no secretariado de Ricardo. Qual o perfil que ele busca?

Coluna procura responder: por que Ricardo ainda não definiu o substituto definitivo de Emanuela Pedroso? Por que a “solução Duboc” acabou não vingando?

Escrito por Vitor Vogas

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Ricardo Ferraço conduz reunião no gabinete. Crédito: Governo do Estado
Ricardo Ferraço conduz reunião no gabinete. Crédito: Governo do Estado

Ontem (23) fez exatamente três semanas que Ricardo Ferraço (MDB) tomou posse como novo governador do Espírito Santo. Logo nos primeiros dias, ele anunciou, em fila, cerca de uma dúzia de mudanças no secretariado – impositivas, pois eram secretários de Casagrande (PSB) que haviam entregado os cargos para poderem se candidatar a deputado estadual ou federal nas eleições deste ano. Em seguida, por opção própria, Ricardo também trocou a secretária Nara Borgo (PSB) na pasta de Direitos Humanos, e veio o inesperado remanejamento de Flávia Mignoni da Superintendência de Comunicação para a chefia de gabinete.

Ocorre que uma substituição, uma das mais importantes de todas, ainda não foi definida e anunciada: o/a próximo/a chefe da estratégica Secretaria de Estado de Governo (SEG), gestora do cobiçado Fundo Cidades, entre outras atribuições essenciais para o bom andamento dos projetos e ações mais estratégicas da gestão estadual. Essa troca simplesmente travou, emperrou, ficou “agarrada”. E uma demora como essa não é normal.

A ex-secretária Emanuela Pedroso (PSB) saiu para ser candidata a deputada federal. No lugar dela, logo que assumiu, Ricardo designou Pedro Caçador Neto para responder pela secretaria, mas a coluna confirmou com a assessoria do governo que, no Palácio Anchieta, ele é considerado interino. Não é tido como solução definitiva.

Caçador era subsecretário estadual de Ações Estratégicas na mesma secretaria, sob o comando de Emanuela. De fato, no dia 8 de abril, o decreto publicado por Ricardo no Diário Oficial do Estado diz que ele foi “designado para responder” pela SEG, terminologia usada em casos de interinidade.

Inicialmente, o novo secretário de Governo seria Álvaro Duboc, atual secretário de Planejamento. Mas Ricardo desistiu dessa ideia. Por que desistiu? Pelo que apuramos, ele alegou internamente que não gostaria de sobrecarregar Duboc, pois este, além de responder pela elaboração do orçamento estadual, é o coordenador do Programa Estado Presente, o carro-chefe do Governo do Estado no combate à violência.

Não permitir que os índices de violência em solo capixaba voltem a subir ou, se possível, reduzi-los ainda mais, é fundamental para o discurso de governo e de campanha de Ricardo.

Mas há outro fator também: sem filiação partidária e sem jamais ter sido candidato, Duboc é um quadro de perfil estritamente técnico. Delegado de carreira da Polícia Federal, é considerado um homem muito sério e um gestor muito correto, mas daqueles que “diz o não, sem rodeios”, se preciso for.

No dia 1º de abril, em seu discurso final durante sua “despedida oficial” no Estádio Kleber Andrade, Casagrande até pilheriou: “Ricardo, hoje descobrimos que Álvaro Duboc tem coração (risos)!” Representando o secretariado, Duboc fizera, pouco antes, o discurso de balanço do governo e de homenagem a Casagrande, falando em seu nome e no dos demais secretários, que subiram juntos ao palco. E, diante do numeroso público, o “inabalável” Duboc emocionou-se.

Muito austero, o secretário de Planejamento careceria daquele “jogo de cintura político” para lidar e tratar com prefeitos, vereadores e deputados – como exige a função de secretário de Governo. Se, em circunstâncias normais, essa “desenvoltura” já é importante, quanto mais em um ano eleitoral, com o pleito já se avizinhando.

Ricardo já concentra uma legião de apoiadores, precisamente, entre prefeitos, vereadores e deputados, que sempre batem à porta do governo com um pires na mão e algo mais a pedir… Neste período eleitoral, Ricardo não pode se dar ao luxo de desagradar a aliados nem de ferir suscetibilidades. E, claro, sabendo disso, os pedidos de tais apoiadores podem se intensificar nos próximos meses (quid pro quo).

No caso de Emanuela Pedroso, em sua interface com Casagrande, conta uma fonte de alto gabarito político: “Mesmo quando ela sabia que a resposta do governador seria não, ela levava a ele, com muito tato, o pleito do prefeito. Dava um jeito de ficar bem com o prefeito, mesmo diante da recusa”.

A própria Emanuela reunia atributos técnicos (também chegou a ser secretária estadual de Planejamento no fim do segundo governo Casagrande), mas veio do meio político: foi vereadora e prefeita da pequena Alto Rio Novo, além de secretária-executiva da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), experiência em que se calejou no diálogo com os gestores municipais.

O perfil buscado por Ricardo

Tudo considerado, neste momento, para a SEG, Ricardo busca alguém que seja um “quadro híbrido”, conciliando perfil técnico com perfil político. Mas… quem é essa pessoa? As opções na praça estão escassas, como prova, de maneira inconteste, a atípica demora na escolha e na nomeação do/a novo/a responsável pela secretaria.

Adicionalmente, o secretário de Estado de Governo precisa ser alguém com quem o governador mantenha uma sintonia perfeita, dos pontos de vista técnico e político, pois, cotidianamente, os dois precisam estar em permanente contato, com vários “despachos” por dia – ainda que pelo Whatsapp. Na definição de uma fonte de alta patente política, “tem de ser alguém que se entenda com o governador só no olhar”.

A julgar pela indefinição que se arrasta até o momento, Ricardo chegou ao governo sem ter esse alguém que atenda a todos os pré-requisitos acima – e sem ter preparado essa pessoa.

Enquanto isso, segue em aberto a única peça que falta para o governador completar a foto oficial do novo secretariado – aliás, não tirada mesmo, até o momento. Parece aquele quebra-cabeça grandão que vem com uma pecinha a menos, deixando aquele buraquinho chato que impede a visualização total da imagem.

Enfim, para não perdemos o trocadilho, segue o impasse na SEG.

E, passados 22 dias, a SEG segue sem a nova secretária ou secretário definitivo.

Para não perdermos o trocadilho 2

O secretário de Governo interino chama-se Pedro Caçador Neto. Um “caçador” de outro tipo parece justamente o que o Palácio Anchieta precisa neste momento, para identificar e “contratar” este novo secretário ou secretária: um headhunter, recrutador, “caçador” de talentos no mercado.

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