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Brasil ocupa 117º posição no ranking de liberdade econômica dos países: entenda as causas dessa posição
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O IBEF Academy é o programa de auto formação do IBEF-ES, com foco em gestão, economia, finanças e filosofia. Seu objetivo é contribuir para a evolução do ambiente de negócios no Espírito Santo, qualificando profissionais e fortalecendo o ecossistema econômico e financeiro do estado.
lula, presidente
Lula na Cúpula sobre o Impacto da inteligência Artificial. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em 19 de fevereiro de 2026, durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial realizada em Nova Delhi, na Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco para defender, mais uma vez, a regulação das grandes empresas de tecnologia. Em seu discurso, afirmou que o modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política. O discurso foi aplaudido, repercutiu na imprensa e ganhou ares de posição corajosa. Mas, como ensina Bastiat, é preciso olhar não só para o que se vê, mas também, e principalmente, para o que não se vê.

O que se vê é um presidente preocupado com os excessos da tecnologia, falando diante de líderes mundiais sobre democracia e direitos humanos. Lula afirmou que, quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não se está falando de inovação, mas de dominação, e defendeu que a regulação das chamadas big techs está ligada à proteção dos direitos humanos na esfera digital. Parece uma causa nobre. O problema está no que fica fora do discurso.

O que não se vê é o retrato do próprio país que esse presidente representa. Enquanto o Brasil sobe ao palco mundial para pedir mais controle, mais intervenção e mais regulação sobre o setor mais dinâmico da economia global, os dados sobre a situação interna falam por conta própria. O Índice de Liberdade Econômica de 2025, publicado pela Heritage Foundation, atribui ao Brasil a nota de 55,1, colocando o país na 117ª posição entre 184 nações avaliadas, classificado como economia majoritariamente não livre, com desempenho abaixo das médias mundial e regional. Para contextualizar esse número, o Brasil aparece nesse ranking atrás de países como Uzbequistão, Camboja e Ruanda.

Não é um dado isolado. O relatório da Heritage Foundation aponta que a forte presença do Estado na economia brasileira continua sufocando o desenvolvimento de um setor privado mais dinâmico, que a burocracia excessiva torna o processo de abrir, operar ou fechar um negócio caro e demorado, e que as regulações trabalhistas consideradas rígidas são vistas como um entrave ao crescimento do emprego e da produtividade. São problemas antigos, estruturais, que persistem independentemente do governo.

As pontuações do Brasil em relação à corrupção e aos direitos de propriedade são relativamente baixas, e o sistema judiciário ainda é vulnerável à influência política. Esse é o ambiente em que vive quem tenta empreender, investir ou inovar no Brasil. Adicionar mais camadas de intervenção sobre um setor que depende de agilidade e segurança jurídica não protege o cidadão. Afasta quem poderia gerar emprego, inovação e renda no país.

O país Singapura, que lidera o ranking de liberdade econômica, é hoje uma das economias mais prósperas do mundo. O Brasil, que escolheu o caminho oposto ao longo de décadas, segue patinando em uma posição que enfraquece sua capacidade de atrair capital qualificado.

O argumento de que é preciso regular para proteger as pessoas não é, em si, errado. Mas ele precisa ser feito com honestidade sobre o que está em jogo. Quando um Estado que já exerce grande peso sobre o cidadão solicita ainda mais poder para controlar o fluxo de informações e as práticas das empresas de tecnologia, surge uma pergunta inevitável: proteger de quem e para quê? A história demonstra que governos que ampliam seu controle sobre os meios de comunicação raramente o fazem apenas para defender direitos. E, quando essa ampliação ocorre de forma inadequada, o custo costuma recair justamente sobre aqueles que têm menos condições de se defender.

O Brasil precisa, antes de tudo, olhar para o que não vê nas suas próprias escolhas. Melhorar o ambiente para quem empreende, reduzir a burocracia, fortalecer os direitos de propriedade e garantir segurança jurídica real são tarefas que nenhum discurso em cúpula internacional substitui. Enquanto o país permanecer entre os economicamente menos livres do mundo, falar de regulação global como se fosse uma bandeira de progresso é, no mínimo, uma contradição que o tempo, cedo ou tarde, apresenta a conta.


*Letícia Porto Moreto está cursando Administração na Fucape, é consultora Financeira da W1 Consultoria e membro do IBEF Academy.

 

 

 

 


Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

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