PMs envolvidos em mortes de mulheres em Cariacica são suspensos

Medida foi anunciada após divulgação de novas imagens que mostram a ação e a conduta dos policiais no local do crime.

Escrito por Redação

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Foto: Reprodução

O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, afirmou nesta terça-feira (14) que todos os policiais envolvidos no assassinato de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, foram suspensos de todas as atividades, inclusive administrativas, para as quais haviam sido inicialmente realocados. As armas dos policiais também serão recolhidas.

A declaração ocorre após a divulgação de novas imagens do crime, na manhã desta terça. Em entrevista à imprensa, o major da Polícia Militar, Torezani, informou que, além da prisão do cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, apontado como autor dos disparos, os demais policiais que estavam na ocorrência também são investigados, com análise da conduta, da responsabilidade e da eventual culpabilidade de cada um.

Segundo o major, os policiais já haviam sido afastados das atividades operacionais e estavam exercendo funções administrativas internas.

Imagens mostram ação

As imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o cabo atira contra as vítimas. Nos vídeos, aparecem duas viaturas da Polícia Militar na rua. Em uma delas, o militar desembarca e, em seguida, efetua os disparos. Também é possível observar que outros policiais presentes no local não impediram a ação.

Crime ocorreu após desentendimento

As vítimas foram mortas após um desentendimento envolvendo a ex-companheira do policial. De acordo com relatos, os conflitos entre as mulheres já duravam cerca de 10 meses e vinham se intensificando.

A ex-companheira do militar afirmou que, no dia do crime, desceu até a rua com uma faca após novas discussões e acabou sendo agredida pelas vizinhas. Segundo ela, houve empurrões e puxões de cabelo, e a briga só foi interrompida por outra moradora.

Ainda conforme o relato, os disparos teriam ocorrido quando uma das vítimas avançou em direção ao policial. No entanto, as imagens de videomonitoramento não confirmam essa versão.

Moradores da região relataram ter ouvido mais de dez tiros. Uma das vítimas morreu no local, enquanto a outra chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

Histórico do policial

No dia do crime, o cabo atuava como guarda em uma companhia da Polícia Militar. De acordo com o comandante-geral da corporação, Ríodo Rubim, o militar já era investigado por outro caso de morte e respondia a um processo desde 2002.

Por conta desse histórico, ele exercia função interna, fora do policiamento ostensivo. Ainda segundo o comandante, o policial deixou o posto de serviço antes de ir até o local do crime — conduta que também será apurada e que, por si só, já configura irregularidade.

Após os disparos, o militar se apresentou, colocou a arma no chão e foi conduzido para a lavratura do flagrante.

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