O mundo acelerou seu ritmo depois da pandemia e não houve um novo patamar. E continua mudando. Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo. Tudo muda o tempo todo no mundo. Lulu Santos já sabia. Tudo que é sólido desmancha no ar, diria aquela dupla de filósofos. O ecommerce, acelerado pela pandemia, provocou terremotos no varejo e o tsunami continua a varrer o comércio.
Vieram os sites chineses que souberam surfar na onda. Hoje a briga é pela last mile, com entregas cada vez mais rápidas, armazéns robotizados, galpões próximos dos consumidores. Empresas pressionam os empregados para voltarem aos escritórios, em vão. Os bons bancam o home office e não voltam. Casais acomodaram a vida pessoal à dinâmica do home office. Podem morar em qualquer lugar, pelo menos para as profissões que operam totalmente digitais. Todo mundo aprendeu a fazer reuniões virtuais e a insanidade de longas viagens para reuniões curtas já era.
Mas há uma sensação de que a cultura das empresas se perde, sem a proximidade física. O relacionamento que acontece nos cafezinhos, os problemas sanados na mesa ao lado, a dificuldade dos estagiários sem ninguém para perguntar, o que é a nova cultura empresarial? Mudou o dress code definitivamente. Gravatas e ternos evaporaram. O tênis venceu.
A informalidade e a descontração se espalharam. Trabalhar de bermuda? Claro. A diversidade agora permite tudo. Tudo bem, quase tudo. Na pré-história empresarial do século passado, e até na pré-pandemia, empresas ainda exigiam terno, cabelo cortado, barba feita, vestido arrumado, principalmente para quem atendia clientes. Hoje vale tudo: cabelo Milei, colorido, brinco masculino, tatuagem de jogador de futebol.
Modelos tinham o corpo escultural nas vitrines. Hoje vale toda forma de corpo e todas as cores nas vitrines. Afinal, essa é a realidade do mundo que quer comprar o que está exposto. Não cabe mais também contratar pela aparência, conceito subjetivo e discriminatório.
A sigla ESG se espalhou. O conceito exigia sensibilidade com o problema ambiental, preocupações sociais e subir os conceitos ao board das empresas na sua governança. A globalização, que tinha sido abalada pela pandemia ao se perceber a dependência do mundo a alguns países quanto aos insumos de saúde, levou novo choque com a geopolítica confrontando blocos e países, guerras abertas e o protecionismo e as políticas industriais voltaram.
No conceito de ESG 2.0, trazido pelo economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (o Banco do Brics), o E deixou de ser apenas “Ambiental” para representar a “Economia”; o S incorpora a noção de “Segurança”; e o G, se amplia para a “Geopolítica”.
A pergunta que passou a preocupar os conselhos de administração não é mais apenas sobre reduzir pegada de carbono, mas como sobreviver a um bloqueio energético ou a uma ruptura geopolítica, que podem destruir valor rapidamente.
Enquanto isso, as mudanças tecnológicas não param. A inteligência artificial entrou definitivamente na realidade das empresas, dos empregos, dos governos e das pessoas, para o bem e para o mal, e com mudanças toda semana.
E como fica o planejamento com mudanças tão frequentes? A chave para gerenciar uma estratégia é a habilidade para se detectar padrões emergentes e auxiliá-los a tomar forma, diz Henry Mintzberg, guru tradicional do tema. O importante é estar antenado com o que está acontecendo e rapidamente ajustar as velas.




