Moradores da região onde duas mulheres foram mortas a tiros na manhã desta quarta-feira (8), em Cariacica, pelo cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, criticaram a demora no atendimento às vítimas após os disparos.
De acordo com o relato de um morador, em entrevista à TV Sim/SBT, uma das vítimas teria permanecido por cerca de 40 minutos no chão após ser atingida, antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Ainda segundo moradores, a ambulância chegou ao local cerca de 13 minutos após ser acionada. Além disso, os socorristas teriam sido impedidos de acessar diretamente o local onde as vítimas estavam devido a um bloqueio na rua, sendo necessário contornar o quarteirão para se aproximar.
Policial se entregou após os disparos
Imagens de circuito interno de uma residência mostram o momento em que o cabo retira o colete policial e coloca a arma no chão após os disparos. Em seguida, ele se rende diante de outro policial.
Segundo uma testemunha, após se entregar, o militar teria permanecido por cerca de duas a três horas dentro de casa antes de ser conduzido.
“No momento em que ele se entregou, ele entrou em casa e permaneceu lá por cerca de duas a três horas. Eles poderiam tê-lo prendido na hora. Se fosse um cidadão comum, teriam colocado algemas, jogado no chão e feito o que você sabe, né? Ele passou perto de mim e disse: ‘Com a minha família ninguém mexe…’. Depois, entrou em casa e ficou lá”, relatou a testemunha.
Colegas também serão investigados
Testemunhas também questionaram a conduta dos demais policiais presentes na ocorrência. De acordo com as primeiras investigações, eles prestaram depoimento como testemunhas, mas podem ser ouvidos novamente. A apuração busca esclarecer se houve possível conivência por parte desses policiais na ação do autor dos disparos.
Sobre o socorro prestado às vítimas, a Polícia Militar informou, em nota, que todos os procedimentos operacionais previstos em norma foram adotados.
“Assim que constatada a situação, foi providenciado o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), meio especializado e adequado para o atendimento pré-hospitalar, conforme previsto nos protocolos institucionais para situações dessa natureza. Ressalta-se que o procedimento operacional da corporação estabelece que o socorro à vítima deve ser realizado com os recursos disponíveis, podendo ser executado por equipes especializadas, como o SAMU.
Diante da gravidade da ocorrência, bem como da necessidade de preservação do local para a atuação dos órgãos de perícia, todas as medidas adotadas buscaram assegurar tanto o pronto acionamento do atendimento médico quanto a adequada condução dos procedimentos legais.”
Cabo já respondia por outro crime
O policial militar já era investigado por outro caso envolvendo morte e respondia a um processo desde 2002. A informação foi confirmada pelo comandante-geral da PM, coronel Ríodo Rubim.
Segundo o comandante, o militar possuía histórico de envolvimento em ocorrência com morte e, por isso, atuava em função interna, fora do policiamento de rua, exercendo serviço de guarda. Rubim afirmou ainda que o policial abandonou o posto antes do crime desta quarta-feira, o que também será apurado e já configura infração.
Após os disparos, o militar se apresentou, colocou a arma no chão e foi conduzido para a lavratura do flagrante. O caso é tratado como complexo e segue em investigação.
De acordo com a Polícia Militar, o policial foi apresentado à Corregedoria da PMES, onde foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante Delito. Ele foi encaminhado ao presídio do Quartel do Comando-Geral e permanece à disposição da Justiça Estadual.
Diante dos elementos colhidos até o momento, a conduta do conduzido foi enquadrada como duplo homicídio qualificado.
*Com informações de Tiago Américo, da TV Sim/SBT

