Não é fácil fazer previsões sobre o futuro quando a tecnologia evolui em uma curva exponencial. Os seres humanos ficam mais confortáveis com funções lineares; exponenciais fogem à nossa percepção. Se nos for apresentada a possibilidade de dobrar uma folha de papel 30 vezes, primeiro em duas partes, depois em quatro, depois em oito e sucessivamente até 30 vezes, de que altura você acha que ficaria esse bolo de papel? Um palmo de altura, um metro, metro e meio? Essa é a nossa cabeça linear… e redondamente errada. Se pudéssemos dobrar a folha 30 vezes, esse bolo de papel ficaria com uma espessura aproximada de 107 quilômetros. Não acredita? Vai lá e pergunta para o Google ou para o ChatGPT.
A Lei de Moore, observação feita por Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, em 1965, estipula que o número de transistores em um chip de silício dobraria aproximadamente a cada dois anos. Como faz 60 anos dessa previsão, o número cresceu 30 vezes. Por isso a miniaturização dos tamanhos dos chips e dos seus preços, viabilizando uma quantidade imensa de novos produtos e a transformação digital de outros.
Esse quadro de mudanças ultra rápidas dão margem às tentativas frustradas de prever o futuro e errar muito.
Estamos vivendo essa situação nesse momento. Os quase diários novos lançamentos de produtos de IA geram toda espécie de especulação sobre os efeitos na nossas vidas. Empregos vão desaparecer aos montes? Há pouco tempo se pensava que empregos mais repetitivos seriam atingidos, agora os mais sofisticados também estão no cadafalso. Há previsões de que os programadores desapareceriam agora que a IA sabe programar direitinho. Mas a realidade mostra aumento da procura por programadores. Novamente a Lei de Moore explica: a miniaturização permite a existência de coisas novas que precisam de software. Robôs, veículos autônomos, drones, aspiradores domésticos e IA. E coisas antigas que passaram a usar software: geladeiras, máquinas de lavar, relógios, aviões, só para ficar nos mais óbvios. E tome programação.
Quando tentamos fazer um planejamento estratégico, a tendência é pensar em um crescimento linear a partir da situação atual. Isso vale para algumas coisas, mas não para o mundo digital, cujo crescimento é exponencial.
No horizonte de 2035, como no planejamento do estado, a coisa mais importante é preparar gente capaz de aprender em alta velocidade e um letramento digital amplo. Mas a matemática é precária segundo o Pisa, o número de engenheiros formados perde longe para advogados, a evasão nos cursos de engenharia é assustador e a desindustrialização é um fato.
Sabemos produzir commodities como ninguém, mas usando as máquinas feitas pelos outros de fora. Poucos conseguem desenvolver as máquinas como fazem a Embraer e a Weg. Temos orgulho da Petrobras, mas os equipamentos sofisticados necessários vêm de fora. Temos uma agricultura sensacional, mas as colheitadeiras falam outra língua. A complexidade do que é produzido pela indústria define quem é desenvolvido e quem não é. E vamos seguindo à meia boca, achando bom um crescimentozinho de 2%, com voos de galinha, enquanto China e Índia, que já estiveram atrás de nós, dão show de 5% ou 7% recorrentes com formação maciça de engenheiros. A mediocridade não pode prevalecer. A régua tem que ficar lá em cima.
Nesse horizonte de 2035 os robôs estarão por toda parte, a IA será muitas vezes mais inteligente, os computadores quânticos chegarão com velocidade, em tarefas especializadas, milhões ou até um quadrilhão de vezes mais rápida que os digitais. Não dá nem para imaginar o que vamos fazer com isso, ou quem sabe, eles é que farão conosco.
*(Os créditos do título vão para o Antònio Toledo, CEOdaTimeNow, em recente evento do Ibef)
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