Mãe pede expulsão de alunos após nudez falsa com IA em escola

Segundo a família, adolescente de 14 anos teve fotos manipuladas por colegas com uso de inteligência artificial em escola de Vitória; caso vai ser investigado pela Polícia Civil.

Escrito por Redação

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Foto: Reprodução/TV Sim/SBT

Um ambiente que deveria ser de aprendizagem, conexões, momentos e amizades para levar para toda a vida acabou se tornando motivo de preocupação para uma família em Vitória. Uma adolescente de 14 anos, estudante de uma escola particular, foi vítima de colegas que manipularam fotos dela para criar imagens falsas de nudez por meio de inteligência artificial.

Segundo a família, as imagens modificadas foram compartilhadas entre outros estudantes. Revoltada com a situação, a mãe da adolescente registrou um boletim de ocorrência na Delegacia da Infância e Juventude.

“A minha filha foi vítima de dois meninos que manipularam uma foto dela e de mais duas colegas através de inteligência artificial. E esses meninos divulgaram pra alguns outros colegas lá no ambiente escolar”, contou a mãe em entrevista à TV SIM/SBT.

De acordo com a mulher, o episódio teria sido motivado por um pedido de namoro feito por um colega de sala, também de 14 anos, que não foi correspondido pela adolescente.

“O que chegou até mim foi isso. Que eles tiveram um relacionamento (ficaram) e na hora que ele pediu ela em namoro ela não quis e, motivado por isso, ele quis se vingar”, relatou.

Ainda segundo a mãe, o estudante não agiu sozinho. Um amigo dele teria ajudado tanto na criação das imagens manipuladas por inteligência artificial quanto na divulgação para outros colegas.

“Eu acredito que, pelo que eu soube, eles mostraram pra alguns meninos e enviaram pra alguns colegas também. Não colocaram em grupos não. Um dos colegas que recebeu a imagem, achou inadequado e mostrou pra uma outra amiga. Na hora, ela ligou para minha filha para contar.”

Família considerou tirar estudante da escola

Após descobrir o ocorrido, a mãe afirma que chegou a considerar retirar a filha da escola, mas decidiu conversar com a adolescente antes de tomar qualquer decisão.

“Foi o meu primeiro pensamento, tirar a minha filha da escola. Porque eu não suporto deixar minha filha lá. Mas, conversando muito com ela, eu me acalmei também e perguntei o que ela queria fazer porque eu entendo também que isso seria uma agressão a ela. Ela vai ser punida por ter sido vítima? Não acho isso justo. A minha luta é para que eles sejam expulsos ou que os pais deles tenham consciência e retirem eles da escola.”

Mãe critica posicionamento da instituição

A mãe também disse não concordar com a postura adotada pela instituição após tomar conhecimento do caso.

“Acolheram, disseram que sentiam muito por aquilo, mas que aquilo não tinha sido no ambiente escolar e que eles falariam com os meninos e que tomariam as providências internas que a escola podia tomar. Chamaram os meninos pra conversar, eles confessaram que fizeram isso e aí eles chamaram os pais dos meninos, conversaram também, mas não sei [o que foi dito] porque não tive contato nenhum com esses pais, não vieram me procurar e deram um dia de suspensão. Eles deveriam ter chamado o conselho tutelar, mas não fizeram. Então a gente foi fazer o boletim de ocorrência na delegacia da infância e juventude.”

Depois do ocorrido, a mãe afirma que a rotina da filha mudou e que a adolescente passou a se sentir constrangida no ambiente escolar.

“Ela ficou muito triste, assustada, com medo. Ela me disse ‘mamãe, eu sei que essa imagem é mentira, mas a sensação que eu tenho é que tiraram minha roupa de verdade'. Sempre que ela vê esses meninos na escola ela acha que eles estão falando dela. Então ela se sente coagida.”

Além da adolescente, outras duas amigas dela também teriam sido vítimas dos mesmos estudantes.

Indignada, a mãe defende que a escola adote medidas mais rigorosas para evitar que casos semelhantes voltem a acontecer.

“Eu espero como mãe que a escola retire esses meninos do convívio com a minha filha. Não acho que seja justo nem saudável que ela tenha que conviver diariamente com os meninos que cometeram essa violência contra ela. Se a escola não toma uma providência em relação a isso, o que vai ser desses meninos no futuro? Eu não tô pensando só na minha filha. Eu tô pensando em toda a comunidade escolar, inclusive neles, que vão sair com a sensação de impunidade. O crime do feminicídio não começa com o homem matando uma mulher, ele começa com isso.”

Escola diz que adotou medidas

Em nota, o Colégio Salesiano Jardim Camburi informou que tomou conhecimento da situação envolvendo estudantes do ensino fundamental relacionada ao uso inadequado de recursos digitais. Segundo a instituição, assim que soube do ocorrido foram tomadas “medidas disciplinares e pedagógicas conforme o regimento interno”.

A escola afirmou que as famílias dos alunos envolvidos foram convocadas para reuniões e que houve atendimentos individualizados. Também foram aplicadas medidas educativas consideradas cabíveis.

“O caso também foi comunicado às autoridades competentes, com as quais a instituição vem colaborando integralmente para a adequada apuração dos fatos”, informou o colégio.

Por envolver adolescentes, a instituição disse que não pode divulgar outros detalhes ou informações que possam identificar os estudantes, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“A instituição reafirma seu compromisso permanente com a formação integral dos alunos, com a promoção de um ambiente escolar seguro e com o desenvolvimento de ações educativas voltadas ao uso responsável das tecnologias digitais”, acrescentou a escola.

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