Inovação
Estratégia de empresas, IA e o papel do board
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Evandro Milet

Evandro Milet é consultor, palestrante e articulista sobre tendências e estratégias para negócios inovadores. Possui Mestrado em Informática(PUC/RJ) e MBA em Administração(FGV/RJ). É Conselheiro de Administração pelo IBGC, Membro da Academia Brasileira da Qualidade-ABQ, Membro do Conselho de Curadores do Ibef/ES e membro do Conselho de Política Industrial e Inovação da Findes. Foi Presidente da Dataprev, Diretor da Finep e do Sebrae/ES, Conselheiro do Serpro e Banestes. Tem extensa atuação como empresário, executivo e consultor em inovação, estratégia, gestão e qualidade, além de investidor e mentor de startups, principalmente deeptechs. Tem participação em programas de rádio e TV sobre inovação. É atualmente Presidente do Cdmec-Centro Capixaba de Desenvolvimento Metal-Mecânico.
Maior dificuldade é compreender uma tecnologia complexa. Foto: Reprodução/IA
Maior dificuldade é compreender uma tecnologia complexa. Foto: Reprodução/IA

A utilização de IA pelos CA (Conselhos de Administração) ganha crescente importância para qualificar melhor suas decisões. Análises mais elaboradas, consolidação de informações mais abrangentes e rápidas, decisões mais embasadas em dados. Porém, certamente o papel mais importante do CA em relação à IA será entender o impacto nos processos, nas pessoas, no negócio, na concorrência, na estratégia da organização e ter base para atuar junto ao C-level.

A maior dificuldade é compreender uma tecnologia complexa, com repercussão avassaladora e que avança em velocidade que surpreende os próprios técnicos especialistas no tema.

Uma maneira de tentar trazer para os CA um letramento em IA é a introdução de especialistas como membros. Algumas experiências nesse sentido não dão certo porque os especialistas em IA normalmente são técnicos sem experiência em gestão de alto nível e com dificuldade de traduzir o contexto técnico em uma linguagem de negócio. Toda nova tecnologia carrega um sem número de novas expressões, siglas, indicadores e impactos diferenciados que criam um novo vocabulário, rapidamente assimilado pelos técnicos e hermético para os não iniciados. Acostumados a se relacionar com os pares, em uma época que as decisões técnicas eram resolvidas no âmbito do CIO e a TI não tinha ainda subido para o nível mais alto de decisão, os técnicos em IA têm dificuldade de traduzir toda a complexidade embutida no novo jargão em uma linguagem clara para pessoas que tiveram outra trilha de formação.

Periodicamente alguns temas sobem na escala administrativa das empresas, primeiro até o C-level e depois ao CA, à medida que ganhavam importância no meio empresarial para uma boa gestão. Assim aconteceu, entre outras, com a qualidade, talentos, inovação, e-commerce, logística, ESG, DE&I, riscos, mudanças climáticas, geopolítica, cibersegurança e agora a IA. O board, que atuava quase que exclusivamente com balanços, indicadores financeiros e alocação de capital, ganhou uma multiplicidade de assuntos que forçaram um equilíbrio maior na sua composição e a difícil tarefa de encontrar especialistas que conseguissem se comunicar em uma linguagem não técnica e percebendo seu impacto nos negócios.

A IA tem o potencial de mexer com todos os aspectos da organização. Há impactos cada vez mais evidentes na redução de pessoal, nas estratégias de marketing, na segurança de dados, nos canais de distribuição, na alocação de recursos no orçamento, em P&D, no treinamento e nos modelos de negócio. Isso tudo coloca pressão e responsabilidade no CA e no C-level, naturalmente. As mudanças que aconteciam nos negócios eram mais lentas, dava tempo de amadurecer decisões. O que era um jogo de xadrez virou um video game. Se o ambiente repleto de riscos exige cautela nas decisões, ao mesmo tempo exige velocidade.

O desafio é grande. Não dá mais para a composição dos CA ser definida por potencial de networking ou conhecimento em finanças. E há necessidade urgente de capacitação dos atuais conselheiros pouco letrados em IA e outras tecnologias fundamentais para as organizações.

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