A distimia raramente chama atenção como a depressão profunda. Mas justamente por ser mais silenciosa, pode durar anos sem ser reconhecida. Para evitar esse risco, vamos falar um pouco mais sobre isso. Afinal, uma das piores formas de adoecimento ocorre quando não sabemos do que estamos padecendo.
Essa falta de compreensão sobre o transtorno mental pode agravar quadros clínicos “confusos” e impedir o tratamento adequado. Por exemplo: o cansaço crônico, a perda de prazer, o desânimo e a irritabilidade constantes podem ser considerados como parte da personalidade ou da rotina cotidiana. Neste caso, a falta do diagnóstico faz com que alguns riscos nem sejam percebidos.
Afinal, são sintomas que não te impedem de trabalhar, de se relacionar e nem de fazer boa parte de suas atividades diárias. Porém, a vida começa a demandar ainda mais esforço, com doses de pessimismo e baixa autoestima. É importante que a gente dê atenção para esses sofrimentos principalmente quando duram longos períodos de tempo.
A distimia é um transtorno que persiste e que tem como característica o humor persistentemente deprimido, ainda que não seja simplesmente uma depressão “branda”. Em geral, há uma sensação de constante baixa energia e dificuldade de experimentar prazer. Mas quem desenvolve a distimia sem apresentar uma depressão grave, com prejuízos para diversos campos da vida, acaba deixando “a vida levar” e fica sem um tratamento adequado.
Dos sinais e sintomas da distimia, citamos em primeiro lugar a persistência dos sintomas de rebaixamento de humor, que duram por ao menos dois anos, afetando o estilo de vida e a sensação de que “sempre foi assim”. Em segundo lugar, a intensidade dos sintomas não se confunde com uma depressão (geralmente incapacitante), mas também não significa que a distimia seja uma depressão mais suave e por isso mereça menos atenção e cuidado. O terceiro ponto é sobre ela não paralisar a vida, pois na distimia é comum mantermos uma rotina com responsabilidades, mas com algum prejuízo na vitalidade e prazer.
Portanto, a distimia não é um traço de personalidade, não é falta de vontade, não é frescura nem deve ser tratada como um sofrimento comum advindo de uma rotina cotidiana. Mas ela também pode apresentar sintomas como dificuldades no sono, isolamento social, irritabilidade, impaciência, autocrítica elevada e redução da produtividade.
Vale destacar que esses sintomas não são isolados, mas combinados (ainda que nem todos precisam estar presentes) com uma longa duração, oscilando em sua intensidade ao longo do tempo. O humor se mantém como se ficasse em um patamar baixo, mas sem se confundir com depressão nem com a mania. É importante saber que também é possível desenvolver episódios de depressão grave na presença da distimia, bem como há um aumento do risco de suicídio.
Lembramos, por fim, que essas informações não são base para um autodiagnóstico, mas para que as pessoas possam identificar melhor a possibilidade do acometimento deste transtorno (atualmente o termo técnico para a distimia é Transtorno Depressivo Persistente). Procure um médico psiquiatra e um psicólogo para elaboração de um diagnóstico e tratamento associado entre os profissionais.





