
Com o avanço da ciência, mostrou-se que o controle da síndrome pode ser feito por meio de duas frentes: prevenção, para mitigar possíveis casos; e o diagnóstico oportuno e do tratamento, para que as pessoas vivendo com o vírus vivam mais, melhor e não transmitam HIV por via sexual.
Ocorre que, mesmo com o avanço no tratamento e diagnóstico, a frente de prevenção continua falha e o vírus ainda continua infectando mais pessoas – sobretudo pessoas jovens. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 52 mil jovens de 15 a 24 anos com HIV evoluíram para Aids nos últimos dez anos, sendo os jovens a população com maior taxa de infecções por HIV.
Mesmo no cenário atual de transformação tecnológica – muito diferente dos anos 80 -, em que as notícias chegam à palma das nossas mãos em tempo real, o preconceito continua enraizado em nossa sociedade – pautada em valores morais e religiosos que muitas vezes se mostram enviesados ou anticientíficos. Esse preconceito, alinhado à desinformação (que não obstante atrela a síndrome a grupos e classes sociais específicos, em flagrante discriminação com fundamentos LGBTIfóbicos e/ou sociais) fazem com que a frente de prevenção seja encarada como um tabu: pela sociedade, pelas figuras políticas e até mesmo pelos gestores de públicas políticas Brasil afora.
No entanto, há boas notícias:
O tratamento antirretroviral é garantido para todos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), de forma totalmente gratuita. A testagem rápida de ISTs e o fornecimento de preservativos, também. Além disso, o SUS também oferta gratuitamente – sob a forma de comprimidos/cápsulas – a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), uma das formas de se prevenir do HIV, e da Profilaxia Pós-Exposição (PEP), medida de prevenção de urgência para ser utilizada em situação de risco à infecção pelo HIV. A PEP, contudo, deve ser iniciada de preferência em até 72 horas após o contato com o vírus, para maior eficácia.
Para acionar quaisquer desses serviços pelo SUS, o cidadão pode procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), as Unidades de Pronto Atendimento (Upas), os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e as Coordenações Estaduais de DST/AIDS, para atendimento, aconselhamento e direcionamento correto ao serviço que atenderá à necessidade específica.
Para sanar eventuais dúvidas sobre o acesso a esses serviços, as pessoas também podem ligar para o Disque Saúde. Basta pegar o celular ou telefone fixo e ligar gratuitamente para o número 136.
O acesso a esses serviços e informações de tratamento – e, sobretudo, de prevenção – precisa ser ampliado, divulgado, repercutido. Não só pelos movimentos sociais organizados, mas por todos. Que no Dezembro Vermelho, um mês de celebração da vida e da renovação de ciclos, possamos todos nos unir contra o preconceito e a desinformação.
Amar o próximo é proteger! E proteger é prevenir e bem informar!
*Caroline Coura é advogada especialista em Direito Sanitário pela FACAMP e pesquisadora em Judicialização da Saúde pelo ICEPi.
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