Inovação
A inovação metalmecânica é chave para a reindustrialização do país
Foto de Evandro Milet

Evandro Milet

Evandro Milet é consultor, palestrante e articulista sobre tendências e estratégias para negócios inovadores. Possui Mestrado em Informática(PUC/RJ) e MBA em Administração(FGV/RJ). É Conselheiro de Administração pelo IBGC, Membro da Academia Brasileira da Qualidade-ABQ, Membro do Conselho de Curadores do Ibef/ES e membro do Conselho de Política Industrial e Inovação da Findes. Foi Presidente da Dataprev, Diretor da Finep e do Sebrae/ES, Conselheiro do Serpro e Banestes. Tem extensa atuação como empresário, executivo e consultor em inovação, estratégia, gestão e qualidade, além de investidor e mentor de startups, principalmente deeptechs. Tem participação em programas de rádio e TV sobre inovação. É atualmente Presidente do Cdmec-Centro Capixaba de Desenvolvimento Metal-Mecânico.

Selo coluna Evandro Milet - arcelormittalA explosão do mundo digital criou certa impressão que inovações estão sempre associadas às startups de software e hardware e ainda mais estreitamente aos aplicativos de celular. Ao mesmo tempo, o país se dá conta de um crescente processo de desindustrialização que envolveria a redução na fabricação de peças, equipamentos, máquinas e bens de capital em geral. Esses produtos, para serem desenvolvidos, exigem um ferramental próprio e serviços tecnológicos que o mundo digital muitas vezes desconhece, por não serem necessários no seu processo e nos conceitos restritos de inovação que utiliza. Normas rígidas, laboratórios de calibração e ensaios, patentes, escolha de materiais, processos metalúrgicos, prototipagem, calandragem, usinagem, acabamento, design, metrologia, certificação e acreditação, forja, laminação, estampagem, fresa e inúmeros outros temas e procedimentos necessários para colocar um produto industrial no mercado passam longe da imensa parte das startups.

O Cdmec, Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico, apresenta à MCI-Mobilização Capixaba pela Inovação, um projeto para abrir caminho a esse muitas vezes negligenciado caminho da inovação. A ideia se inspira em parte na metodologia desenvolvida com sucesso, no âmbito do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, onde técnicos da Petrobras identificavam peças e componentes importados, usados na indústria de petróleo e possíveis de serem desenvolvidos nacionalmente e muitas vezes desconhecidos pela indústria metalmecânica, acostumada a prestar serviços para outros setores industriais. Com metodologia transparente e critérios técnicos, empresas eram avaliadas e definidas para desenvolver o produto identificado com apoio técnico e facilitação de testes pela Petrobras. Reuniões periódicas com uma rede de parceiros acompanhavam o desenvolvimento.

Alguns projetos de sucesso foram realizados dessa maneira e ganharam mercado, inclusive na própria Petrobras.

A ideia no projeto atual é identificar esse mesmo tipo de demanda, em empresas de vários setores industriais(rochas ornamentais, laticínios, móveis, etc), em vários municípios do Estado, que possam ser desenvolvidos pelas empresas do setor metalmecânico, e que sejam viáveis técnica e economicamente, com possibilidade de escalar nacionalmente. Os projetos serão acompanhados periodicamente no seu desenvolvimento por uma rede de parceiros de instituições tecnológicas.

O projeto atende outra necessidade interessante: as empresas capixabas do setor trabalham majoritariamente com serviços industriais, suscetíveis à crises periódicas em momentos de redução de demanda pelas grandes empresas. A fabricação de produtos em série, com mercado nacional e eventualmente internacional, cria um colchão de possibilidades para atenuar quedas de encomendas de serviços.

Esse é um caminho promissor onde a inovação em produtos, a partir de oportunidades reais identificadas, abre espaço para a tão demandada reindustrialização do país.

Leia também

Para melhorar a sua navegação, nós utilizamos Cookies e tecnologias semelhantes.
Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Política de Privacidade